Pesquisadores americanos identificaram uma possível ligação entre alterações genéticas
associadas a cânceres do sangue e os mecanismos envolvidos na doença de Alzheimer. O
estudo, publicado na revista científica Cell, ajuda a compreender melhor o papel da inflamação
cerebral no avanço da doença, embora os resultados não indiquem que o câncer cause o
Alzheimer.
A investigação analisou 311 amostras de tecido cerebral por meio de sequenciamento
genético avançado, focando em 149 genes relacionados ao câncer e à hematopoiese clonal —
fenômeno do envelhecimento onde células sanguíneas acumulam mutações e se multiplicam.
Os cérebros com Alzheimer apresentavam maior quantidade dessas mutações adquiridas,
destacando-se os genes TET2, DNMT3A e ASXL1, já conhecidos por sua participação em
cânceres hematológicos.
O Papel das Células de Defesa
O achado mais marcante envolve as micróglias, células responsáveis pela defesa do sistema
nervoso. No Alzheimer, elas permanecem ativadas por períodos prolongados, gerando
processos inflamatórios que danificam os neurônios.
Os cientistas descobriram que parte das mutações nas células imunes do cérebro também
estava presente no sangue dos indivíduos. Isso sugere que células de defesa originadas na
medula óssea podem migrar para o cérebro, participando ativamente da resposta inflamatória.
As células mutadas demonstraram maior atividade inflamatória e capacidade de multiplicação
do que as células saudáveis.