Estudo traça panorama das hepatites virais no Brasil

Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil Legenda Testes rápidos para hepatites B e C estão disponíveis gratuitamente nas unidades do Sistema Único de Saúde

Análise reuniu cerca de 200 estudos e dados de mais de 14,5 milhões de pessoas para avaliar transmissão, prevenção e tratamento das infecções

Um estudo que reuniu cerca de 200 trabalhos científicos e dados de mais de 14,5 milhões de pessoas traçou um panorama das hepatites virais no Brasil. A análise examinou informações produzidas ao longo de 11 anos e destacou as diferenças entre os tipos A, B, C, D e E, que possuem formas distintas de transmissão, prevenção e tratamento.

As hepatites virais são infecções que atingem o fígado e podem provocar alterações leves, moderadas ou graves. Um dos maiores desafios para o diagnóstico é que muitos pacientes não apresentam sintomas durante anos. Quando surgem, os sinais podem incluir cansaço, febre, enjoo, dor abdominal, urina escura, fezes claras e coloração amarelada da pele ou dos olhos. O Ministério da Saúde explica que as formas B, C e D podem se tornar crônicas e evoluir para cirrose, insuficiência hepática ou câncer de fígado.

Cada tipo exige uma forma de prevenção

A hepatite A é transmitida principalmente pelo contato oral-fecal, geralmente relacionado à ingestão de água ou alimentos contaminados, saneamento inadequado e falhas de higiene. A vacinação faz parte do calendário infantil e também está disponível para pessoas com determinadas condições clínicas. A higienização das mãos, dos alimentos e dos utensílios ajuda a reduzir o risco de transmissão.

A hepatite B pode ser transmitida por contato com sangue, relações sexuais sem preservativo e durante a gestação ou o parto. Também há risco no compartilhamento de agulhas, seringas, lâminas, escovas de dentes, alicates e outros objetos que possam provocar cortes. Materiais utilizados em tatuagens, piercings, manicures e procedimentos estéticos precisam ser esterilizados corretamente.

A principal proteção contra a hepatite B é a vacina, oferecida gratuitamente pelo SUS para pessoas de todas as idades que ainda não tenham completado o esquema. O teste rápido para hepatite B também pode ser solicitado nas unidades básicas de saúde. A doença não tem cura, mas o tratamento reduz o risco de cirrose, câncer hepático e outras complicações.

Hepatite C pode ser curada

A hepatite C costuma evoluir de maneira silenciosa e pode permanecer sem sintomas por muitos anos. Aproximadamente 80% das pessoas infectadas não apresentam sinais na fase inicial. Por esse motivo, a testagem é importante para identificar a infecção antes do aparecimento de danos mais graves ao fígado.

Não existe vacina contra a hepatite C. Entretanto, o tratamento realizado com antivirais de ação direta apresenta taxas de cura superiores a 95% e está disponível pelo SUS. Em casos iniciais, o acompanhamento pode começar na atenção básica, sem necessidade de encaminhamento imediato para uma unidade especializada. Mais informações estão disponíveis na página do Ministério da Saúde sobre hepatite C.

A hepatite D ocorre apenas em pessoas que também possuem o vírus da hepatite B. Já a hepatite E é menos frequente no Brasil e está mais associada a regiões da África e da Ásia.

Quem deve procurar o teste

Pessoas que receberam transfusão de sangue antes de 1993, compartilharam agulhas ou seringas, realizaram procedimentos sem condições adequadas de esterilização ou tiveram contato com sangue devem procurar uma unidade de saúde.

Também é importante buscar orientação diante de relações sexuais sem preservativo, exposição ocupacional, tatuagem ou piercing feitos em local sem controle sanitário, além de qualquer dúvida sobre contato com material contaminado.

Os testes rápidos para as hepatites B e C são gratuitos e estão disponíveis no SUS. Em caso de resultado reagente, o paciente é encaminhado para exames complementares, acompanhamento e tratamento adequado. O diagnóstico precoce reduz o risco de complicações e também ajuda a interromper novas transmissões.

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