Um festival criado a partir da memória do multi-instrumentista Fernando Grilo vem construindo uma rede de encontros entre música instrumental, cultura negra e produção periférica no Rio de Janeiro. O Mulambo Jazzagrário leva o nome da banda do músico, morto em 2015 aos 22 anos.
O projeto nasceu ligado às ações desenvolvidas por Grilo em residências culturais, jam sessions, oficinas e articulações de músicos em diferentes cidades. A proposta é manter vivo um ambiente de experimentação musical conectado a territórios populares.
Na edição de 2026, a programação reuniu artistas e grupos como BailaJazz, Mental Abstrato e Orkestra Popular Barracão, além de atividades dedicadas à estética experimental negra e à memória de Djalma Corrêa.
O festival também aproximou diferentes gerações da música instrumental. O repertório passou por jazz, ritmos afro-brasileiros, hip hop, afrobeat, funk, rock e reggae.
Entre os projetos participantes, a Orkestra Popular Barracão nasceu no bairro São Bento, em Duque de Caxias, dentro de um terreiro de candomblé. Já o BailaJazz é formado por cinco mulheres e surgiu no Morro da Conceição.
A trajetória do Mulambo Jazzagrário mostra como festivais de menor escala podem funcionar não apenas como agenda de shows, mas como espaços de memória, formação de público e circulação de artistas que nem sempre aparecem no circuito comercial tradicional.
Ao colocar música instrumental periférica no centro da programação, o projeto amplia o repertório cultural disponível ao público carioca.