Ambulatório Souza Araújo, em Manguinhos, responde por cerca de 15% dos diagnósticos de hanseníase no estado e no município do Rio e mantém atendimento especializado pelo SUS.
A hanseníase continua sendo um problema de saúde pública no Brasil, mas diagnóstico precoce e tratamento adequado permitem a cura e reduzem o risco de incapacidades. No Rio de Janeiro, um dos principais serviços especializados do país completa 50 anos de atuação: o Ambulatório Souza Araújo, mantido pelo Instituto Oswaldo Cruz, da Fiocruz, em Manguinhos.
A programação comemorativa começou na segunda-feira, 10 de agosto, e segue até quarta-feira, 12, no campus da Fiocruz. O simpósio dos 50 anos do Ambulatório Souza Araújo reúne especialistas para discutir assistência, pesquisa, vigilância epidemiológica, resistência a medicamentos, novos métodos de diagnóstico e os desafios para fortalecer a rede de atenção às pessoas com hanseníase no SUS.
O aniversário chama atenção para um serviço que ultrapassa a dimensão acadêmica. O Ambulatório Souza Araújo é referência nacional em hanseníase e atua diretamente no diagnóstico, tratamento e prevenção da doença. Segundo o Instituto Oswaldo Cruz, a unidade responde por aproximadamente 15% dos diagnósticos de casos de hanseníase no estado e no município do Rio de Janeiro.
A estrutura oferece exames diagnósticos, dermatologia, neurologia, fisioterapia voltada à prevenção de incapacidades, serviço social, farmácia, educação em saúde e vigilância epidemiológica de contatos. Também realiza vacinação BCG e atividades de treinamento para laboratórios da rede pública.
Sinais exigem atenção
A hanseníase é causada pela bactéria Mycobacterium leprae e afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. Entre os sinais mais frequentes estão manchas brancas, avermelhadas ou amarronzadas com alteração de sensibilidade, áreas da pele em que a pessoa sente menos calor, frio, dor ou toque, além de formigamento, fisgadas e perda de força muscular, especialmente em mãos e pés.
A orientação é não esperar que o quadro avance. Quem percebe esses sinais deve procurar avaliação profissional. O Ministério da Saúde informa que a hanseníase tem cura e que o tratamento e o acompanhamento são oferecidos gratuitamente pelo SUS, tanto na atenção primária quanto em unidades de referência.
O tratamento utiliza uma combinação de medicamentos conhecida como Poliquimioterapia Única. A duração varia conforme a forma clínica da doença, podendo ser de seis ou 12 meses. Depois que o tratamento é iniciado corretamente, a capacidade de transmissão cai rapidamente, e a continuidade das doses é essencial para alcançar a cura.
Familiares e outras pessoas que mantêm contato próximo e prolongado com alguém diagnosticado também devem ser avaliados por profissionais de saúde. Essa investigação dos contatos faz parte das medidas usadas para interromper a transmissão e detectar precocemente novos casos.
Como procurar o Ambulatório Souza Araújo
O serviço funciona no campus Manguinhos-Maré da Fiocruz, na Avenida Brasil, 4.365, em Manguinhos, Zona Norte do Rio. De acordo com o IOC, o atendimento é realizado de segunda a quinta-feira, das 8h às 17h. Às sextas-feiras, das 8h às 12h, o atendimento é direcionado aos comunicantes, como familiares de pacientes.
Quem precisa de atendimento especializado pode consultar a página oficial sobre acesso ao tratamento de hanseníase no Instituto Oswaldo Cruz. O atendimento laboratorial depende de encaminhamento de serviço médico ou de saúde. Informações também são fornecidas pelo telefone (21) 2562-1594.
Mais do que celebrar a trajetória de uma unidade especializada, os 50 anos do Ambulatório Souza Araújo reforçam uma mensagem de saúde pública: hanseníase tem diagnóstico, tratamento e cura. Reconhecer alterações de sensibilidade, buscar atendimento sem demora e avaliar os contatos de pessoas diagnosticadas são medidas importantes para evitar sequelas e reduzir a transmissão.