Habeas corpus no STF questiona decisões de Moraes que permitem aborto até 9 meses

Um robusto grupo de parlamentares e juristas protocolou no Supremo Tribunal Federal um pedido de habeas corpus em favor dos nascituros para barrar a prática do aborto em estágios avançados de gestação. A medida visa derrubar decisões liminares do ministro Alexandre de Moraes que suspenderam a Resolução 2.378/2024 do Conselho Federal de Medicina. A norma médica proibia a assistolia fetal, método que utiliza injeção de cloreto de potássio para interromper o batimento cardíaco do bebê antes do parto, em casos de gestações com mais de vinte e duas semanas.

O documento é assinado por senadores como Eduardo Girão e Magno Malta, além de dezenas de deputados federais e especialistas. O objetivo central é restabelecer a autoridade do conselho de classe para fiscalizar e impedir procedimentos considerados cruéis por entidades médicas. Atualmente, a suspensão da norma permite que o aborto seja realizado em qualquer fase gestacional sob a alegação de estupro, sem a necessidade de apresentação de boletim de ocorrência ou autorização judicial prévia. Defensores do nascituro argumentam que, após o quinto mês, o bebê já possui viabilidade extrauterina, tornando o procedimento moralmente e tecnicamente questionável perante o direito à vida.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, já emitiu parecer favorável à proibição do método, classificando a assistolia fetal como uma prática que submete o ser humano em formação a grave sofrimento físico. Apesar disso, o PSOL atua judicialmente para manter a liberação, alegando que a restrição do Conselho Federal de Medicina dificulta o acesso ao que chamam de aborto legal. Por outro lado, o movimento pró-vida sustenta que a legislação penal brasileira não prevê o direito ao extermínio de bebês viáveis e que a atuação do conselho médico visa apenas garantir princípios éticos da profissão.

A insegurança jurídica sobre o tema aumentou após decisões de Moraes que impediram os Conselhos Regionais de Medicina de fiscalizar ou punir profissionais que adotam a prática. O julgamento definitivo da questão no plenário presencial do Supremo ainda não possui data confirmada, embora o tema tenha retornado à pauta recentemente. Para os autores do habeas corpus, o Judiciário não pode permitir a execução de fetos que poderiam sobreviver a um parto prematuro e serem encaminhados para adoção. O debate agora pressiona a Corte a decidir se a autonomia da vontade prevalece sobre o direito fundamental à vida em estágios onde a humanidade do nascituro é plenamente reconhecida pela ciência médica e pela legislação civil.

Compartilhe:

Facebook
X
Telegram
WhatsApp
Email
Picture of Jornal O Fluminense

Jornal O Fluminense

Há mais de 148 anos, nossa missão é informar com seriedade, defender o interesse público e acompanhar o desenvolvimento da nossa terra e da nossa gente.

Leia também:

Convenção coletiva proíbe funcionamento do comércio, com exceções em aeroportos, portos e estações de transporte.
Primeiro jogo da decisão começa às 17h no Willie Davids; as duas equipes já garantiram acesso à Série B.
Feriado do Comércio altera atendimento em unidades de shoppings e centros comerciais; outras duas abrem às 13h.
Partida começa às 18h deste sábado no Nilton Santos; Glorioso busca primeira vitória sob o comando de Tite.
Partida começa às 21h no Morumbis; Sportv e Premiere transmitem o duelo da 31ª rodada.
Jogo começa às 19h30 na Arena da Baixada; Verdão tenta quebrar jejum de quatro partidas sem vencer fora.

Edições Certificadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Siga os canais de notícias da sua região

Mantenha-se informado sobre  que acontece na sua região seguindo os canais de notícias do Jornal O Fluminense.