Cantor e compositor, formado em Economia pela UFF, construiu carreira entre Europa, América Latina e Estados Unidos sem abandonar as referências da cidade onde nasceu
O cantor e compositor Matheus Fonseca, nascido em São Gonçalo, prepara um novo álbum em formato voz e violão depois de construir uma trajetória marcada por mudanças de país, apresentações internacionais e quatro discos gravados durante os anos em que viveu fora do Brasil. A origem gonçalense, no entanto, continua presente nas histórias, personagens e lugares transformados em canção.
Formado em Economia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Matheus seguiu inicialmente um caminho distante dos palcos. A mudança veio depois de percorrer o Caminho de Santiago. Segundo sua biografia oficial, a experiência ajudou a consolidar a decisão de seguir profissionalmente na música.
A carreira começou nas ruas de Bournemouth, na Inglaterra, e Lisboa, em Portugal. Depois vieram bares, hotéis e festivais europeus, temporadas na Espanha e a mudança para Genebra, na Suíça. Matheus também participou do The Voice Portugal, onde se apresentou ao violão com “Corazón Partió”. O registro da participação permanece disponível na página oficial do programa da RTP.
São Gonçalo permanece nas canções
Mesmo com uma trajetória construída longe do município onde nasceu, São Gonçalo aparece como referência recorrente no trabalho do compositor.
No material encaminhado à redação, a assessoria destaca duas canções que ajudam a revelar essa relação. Em “Enredo de Vida”, o deslocamento entre São Gonçalo e o Leblon aparece como parte da narrativa. Já “Rua A (Siricutico)” recupera personagens de Monjolos, bairro onde Matheus cresceu.
São vizinhos, trabalhadores, bares, ruas e pequenas cenas do cotidiano transformados em narrativa musical. A proposta se aproxima daquilo que a própria biografia do artista define como uma composição ligada à crônica urbana e às histórias de pessoas e deslocamentos.
Essa identidade continuou mesmo quando o mapa se ampliou. O músico passou a escrever e cantar também em espanhol, inglês e francês, incorporando idiomas e experiências dos países onde viveu, mas manteve o português como idioma predominante de seu repertório.
Quatro álbuns construídos na estrada
A discografia ajuda a acompanhar geograficamente esse percurso. O primeiro álbum, “Enquanto a Terra Girar”, foi lançado em 2022. Em 2023 veio “Imigrante”, trabalho gravado em La Paz, na Bolívia. Os dois volumes de “Latitude Zero” foram lançados em 2024 e 2025 e produzidos durante o período em que Matheus viveu no Equador. A relação completa dos trabalhos está disponível na discografia oficial do artista.
Segundo a biografia oficial, “Imigrante” foi registrado a mais de quatro mil metros de altitude. Depois, em Quito, Matheus produziu “Latitude Zero” e apresentou o trabalho completo no Festival Equador Jazz. Atualmente, o cantor vive em Washington, nos Estados Unidos.
A circulação internacional também levou o trabalho do gonçalense ao catálogo da Putumayo World Music. A gravadora apresenta Matheus como cantor e compositor brasileiro cuja produção combina MPB, samba, reggae, jazz e bossa nova com influências adquiridas durante a trajetória internacional.
Próximo trabalho volta ao essencial
Depois dos álbuns produzidos em diferentes países, o próximo projeto segue outra direção. Matheus prepara um disco em voz e violão, reduzindo a estrutura para colocar as histórias e a composição no centro do trabalho.
A proposta, segundo o material enviado à redação e a biografia oficial do cantor, é reunir experiências acumuladas nas cidades por onde passou sem abandonar os personagens e referências brasileiras que acompanham sua produção desde o início.
“Cada canção tem um endereço”, resume o artista no material de divulgação.
A frase ajuda a explicar a ligação entre os dois extremos de sua trajetória. O endereço profissional hoje pode estar em Washington e a discografia ter passado por Suíça, Bolívia e Equador, mas parte das histórias continua começando nas ruas de São Gonçalo.