O cantor, compositor e pianista Benito di Paula morreu no domingo (18 de outubro), aos 84 anos, em São Paulo. Um dos nomes mais populares da música brasileira nas décadas de 1970 e 1980, ele estava internado no Hospital 9 de Julho e tratava um câncer de próstata havia cerca de um ano. A morte foi confirmada pela assessoria do artista.
Nascido em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, em 28 de novembro de 1941, com o nome de batismo Uday Vellozo, Benito construiu uma trajetória de mais de cinco décadas. Sua maneira de tocar piano e cantar aproximou o samba da canção romântica, do bolero e de outras influências populares, consolidando uma identidade própria na MPB.
Retalhos de Cetim e outros sucessos
O cantor ganhou projeção nacional com Retalhos de Cetim, lançada em 1973 e convertida em um de seus maiores clássicos. O repertório também inclui Charlie Brown, Mulher Brasileira, Se Não For Amor e Do Jeito Que a Vida Quer, músicas que ajudaram a popularizar seu estilo em rádios, programas de televisão e apresentações pelo país.
Embora tenha nascido no interior fluminense, foi em São Paulo que Benito consolidou grande parte da carreira. O artista ficou associado ao chamado samba-joia, expressão frequentemente utilizada para descrever uma vertente marcada pela forte presença de melodias românticas e grande alcance popular.
O vínculo entre música, memória afetiva e vida cotidiana fez com que suas composições atravessassem gerações. A voz expressiva, o piano e a presença de palco transformaram Benito em uma figura reconhecível mesmo fora do universo tradicional do samba.
Homenagens e despedida em São Paulo
Em nota enviada à redação de O FLUMINENSE, o Governo do Estado do Rio de Janeiro lamentou a morte do artista, destacando o alcance de suas canções e manifestando solidariedade à família, aos amigos e aos fãs.
Segundo informações divulgadas sobre a despedida, o velório será realizado nesta terça-feira (20), das 9h às 15h, no Theatro Municipal de São Paulo, com acesso aberto ao público. O sepultamento está previsto para as 17h, no Cemitério Morumby, em cerimônia reservada à família.
Benito também dividiu trabalhos musicais com o filho, Rodrigo Vellozo, prolongando sua atuação artística nas últimas décadas. Sua morte encerra uma trajetória marcada por sucessos que permanecem no repertório popular brasileiro e por uma contribuição singular à música de um artista nascido no estado do Rio de Janeiro.