Refis do Estaleiro Mauá reacende debate sobre custo e contrapartida

Autor: Diego Baravelli

A adesão do Estaleiro Mauá ao Refis Municipal do Setor Naval recoloca um tema sensível no centro
do debate em Niterói: até que ponto abrir mão de juros e multas em nome da retomada econômica
produz benefício público proporcional ao tamanho da renúncia envolvida. Segundo a Prefeitura, a
empresa acumulava dívida superior a R$ 650 milhões; com o acordo, cerca de R$ 450 milhões em
juros e multas serão perdoados, e o restante poderá ser parcelado em até 25 anos. A gestão sustenta
que a medida busca recuperar competitividade da indústria naval e ampliar a atração de negócios
para a cidade.


O problema é que decisões desse porte sempre exigem mais do que anúncio otimista. Em uma cidade
pressionada por demandas urbanas, sociais e fiscais, o contribuinte tende a perguntar qual será a
contrapartida concreta, em emprego, atividade econômica e arrecadação futura, para justificar uma
renegociação tão ampla. O acordo pode ter racionalidade econômica, mas isso não elimina a
necessidade de escrutínio público sobre critérios, prazo de retorno e impacto efetivo.


Em Niterói, políticas de retomada não podem funcionar só como narrativa de recuperação. Elas
precisam mostrar resultado mensurável. Sem isso, o Refis corre o risco de ser lido menos como
instrumento de desenvolvimento e mais como decisão generosa demais com um grande devedor em
uma cidade onde o rigor tributário pesa muito mais rápido sobre o morador comum e o pequeno
contribuinte.

Compartilhe:

Facebook
X
Telegram
WhatsApp
Email
Picture of Jornal O Fluminense

Jornal O Fluminense

Há mais de 148 anos, nossa missão é informar com seriedade, defender o interesse público e acompanhar o desenvolvimento da nossa terra e da nossa gente.

Leia também:

Intervenção inclui preparação das vias e implantação de acessos para bocas de lobo no bairro de Manilha.
Inscrições gratuitas seguem até 30 de setembro; seleção será feita por análise de títulos e experiência profissional.
Acordo entre Governo do Estado, BNDES e Coppe/UFRJ amplia os estudos da Linha 3, prevista para conectar São Gonçalo, Niterói e Rio.
Passageiro desembarcava de voo vindo de Foz do Iguaçu e levava os frascos sem a documentação exigida para importação regular, segundo a Polícia Federal.
Invasões da via e avanço de sinais obrigam condutores a realizar manobras para evitar colisões.
Avaliação analisou processos, protocolos, segurança e práticas assistenciais da unidade pública.

Edições Certificadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Siga os canais de notícias da sua região

Mantenha-se informado sobre  que acontece na sua região seguindo os canais de notícias do Jornal O Fluminense.