Nos anos 1990, quando a pauta ambiental ainda ocupava um espaço discreto nas universidades brasileiras, Ronald Guimarães Levinshon apostou em projetos que uniram educação, pesquisa e preservação da natureza. O resultado foi um legado que permanece vivo décadas depois.
Muito antes de expressões como “desenvolvimento sustentável”, “economia verde” e “ESG” fazerem parte do cotidiano de empresas e instituições de ensino, uma universidade carioca já transformava a preservação ambiental em prática acadêmica. Em uma época em que o debate ecológico ainda dava seus primeiros passos no Brasil, a UniverCidade decidiu assumir um papel que poucas instituições ousavam desempenhar: colocar o meio ambiente no centro de seus projetos de ensino, pesquisa e extensão.
Por trás dessa iniciativa estava seu fundador, Ronald Levinshon. Empresário e educador, ele enxergava a universidade como um agente de transformação social. Sua visão ia além da formação profissional. Para Levinshon, produzir conhecimento significava também intervir positivamente na realidade, aproximando a ciência das necessidades da população e da conservação do patrimônio natural.
Foi dessa filosofia que nasceram sete projetos ambientais, desenvolvidos pela UniverCidade em parceria com pesquisadores, órgãos públicos e a sociedade civil. Embora tenham sido criados há mais de duas décadas, muitos permanecem como referência por sua proposta inovadora e pelos resultados alcançados.
O Projeto Ecocidadão talvez represente da forma mais clara essa visão. A iniciativa levou estudantes do curso de Ciências Biológicas para fora dos laboratórios, colocando-os em contato direto com escolas, comunidades, igrejas, associações de moradores e condomínios. O objetivo era simples na teoria, mas ambicioso na prática: transformar conhecimento científico em soluções para problemas reais. Educação ambiental, saneamento básico, reciclagem e preservação dos recursos hídricos passaram a fazer parte da rotina desses futuros profissionais.
Ao mesmo tempo, outra frente de trabalho chamava atenção pela dimensão ecológica. O Projeto Manguezário iniciou um processo de recuperação do manguezal da Lagoa Rodrigo de Freitas, um dos ecossistemas mais sensíveis da cidade, reduzido pela ocupação urbana ao longo de décadas. O trabalho envolveu pesquisadores, professores e estudantes em ações de reflorestamento, monitoramento ambiental e recuperação da fauna local, reunindo parcerias com instituições públicas e privadas em uma iniciativa considerada pioneira para a época.
A preocupação ambiental também se refletiu em projetos voltados ao cotidiano da população. O ReciclaCidade transformou resíduos em ferramenta de aprendizagem, capacitando estudantes e promovendo campanhas de conscientização sobre reciclagem em todas as unidades da universidade. Já o Projeto Rio dos Macacos reuniu pesquisadores e parceiros para identificar as principais fontes de poluição do curso d’água que liga o Corcovado à Lagoa Rodrigo de Freitas, contribuindo para ações de recuperação ambiental.
Entre as iniciativas mais simbólicas estava o Borboletário, criado após a descoberta da rara Parides ascanius, espécie ameaçada de extinção encontrada na região do Recreio dos Bandeirantes. O espaço tornou-se um laboratório vivo de pesquisa e educação ambiental, permitindo que estudantes acompanhassem de perto o ciclo da espécie e desenvolvessem técnicas para sua preservação. Ao mesmo tempo, abriu as portas ao público, aproximando ciência e sociedade.
Outro projeto emblemático foi a Trilha da Catacumba, implantada em parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro. A iniciativa estruturou uma das principais áreas verdes da cidade com sinalização ambiental, estudos de manejo e ações voltadas à conservação, incentivando uma relação mais consciente entre visitantes e natureza.
Esses programas integravam uma estratégia mais ampla da UniverCidade. A instituição destinava parte de sua receita a bolsas de estudo, programas de alfabetização, cursos gratuitos, atendimento a comunidades de baixa renda e projetos de responsabilidade social. O investimento em sustentabilidade não era uma ação isolada, mas parte de uma concepção de universidade comprometida com o desenvolvimento da sociedade.
Hoje, quando a agenda ambiental ocupa posição central nas discussões globais, é fácil perceber o quanto aquelas iniciativas estavam à frente de seu tempo. Os projetos idealizados durante a gestão de Ronald Guimarães Levinshon demonstram que a sustentabilidade não surgiu como resposta a uma tendência, mas como consequência de uma convicção. Décadas antes de o tema ganhar projeção mundial, a UniverCidade já mostrava que educação e preservação ambiental poderiam caminhar juntas — e produzir resultados capazes de atravessar gerações.