Enquanto o mundo observa a retomada das missões tripuladas globais, a China executa um cronograma de precisão militar para garantir seu lugar na história espacial. Com o sucesso da coleta de amostras da Chang’e-6 ainda ecoando na comunidade científica, o foco de Pequim em 2026 virou-se para a infraestrutura de sobrevivência e o transporte pesado.
Mengzhou e Lanyue: A Dupla que Conquistará a Lua
O plano chinês para o pouso tripulado em 2030 não depende de um único “superfoguete”, mas de uma estratégia de encontro em órbita lunar.
- A Espaçonave Mengzhou: Recentemente, em fevereiro de 2026, a China concluiu com sucesso o teste de aborto em voo da nova geração da cápsula. Ela é projetada para levar até três astronautas e suportar as condições extremas do espaço profundo.
- O Módulo Lanyue: O lander (módulo de pouso) passou por testes de ignição estática e simulações de pouso e decolagem. Dois astronautas descerão no Lanyue enquanto o terceiro permanecerá na Mengzhou em órbita.
- Foguete Longa Marcha 10: O veículo lançador passou por testes críticos de recuperação de primeiro estágio e voos de demonstração em baixa altitude no início deste ano no Centro de Wenchang.
Missão Chang’e-7: A Busca por Água no Segundo Semestre
Programada para ser lançada ainda no segundo semestre de 2026, a missão robótica Chang’e-7 é considerada a mais complexa da história chinesa até agora.
- Objetivo: Localizar depósitos de gelo de água nas crateras permanentemente sombreadas do Polo Sul lunar.
- Inovação: A missão inclui um “mini-flying probe” (sonda voadora), um robô capaz de saltar e voar sobre a superfície lunar para explorar áreas de difícil acesso onde o gelo pode estar escondido.
. Estação Tiangong: Um Laboratório em Rotação Contínua
Em 2026, a estação espacial Tiangong opera como um relógio.
- Presença Permanente: Duas missões tripuladas e uma de carga estão programadas para este ano.
- Diversidade: Pela primeira vez, payload specialists (especialistas de carga útil) de regiões como Hong Kong e Macau estão integrando as tripulações, sinalizando a expansão do processo de seleção nacional.
- Experimentos Longos: Um dos taikonautas da atual missão Shenzhou-23 deve realizar uma estadia recorde de um ano em órbita para estudar os efeitos da microgravidade a longo prazo, visando a futura viagem à Lua.
Cooperação Internacional e Ciência Global
Diferente da era da Guerra Fria, a China busca parcerias estratégicas:
- Missão SMILE: Prevista para ser lançada agora em abril de 2026, a missão Solar wind Magnetosphere Ionosphere Link Explorer é uma colaboração conjunta entre a Academia Chinesa de Ciências e a ESA (Agência Espacial Europeia) para estudar a interação entre o vento solar e a magnetosfera terrestre.
- ILRS: A China continua angariando parceiros para a Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS), projeto que rivaliza diretamente com os Acordos Artemis liderados pelos EUA.
Tabela: Cronograma Lunar Chinês (Status Atual)
| Missão / Hardware | Objetivo Principal | Previsão / Status 2026 |
| SMILE (c/ ESA) | Estudo do Sol e Magnetosfera | Lançamento em Abril/2026 |
| Chang’e-7 | Busca por água no Polo Sul | 2º Semestre de 2026 |
| Longa Marcha 10 | Foguete para missões humanas | Testes de recuperação concluídos |
| Chang’e-8 | Teste de 3D printing lunar | Prevista para 2028 |
| Mengzhou / Lanyue | Pouso tripulado na Lua | Alvo: Antes de 2030 |
O ano de 2026 marca o ponto de não retorno para a China. Se a Chang’e-7 for bem-sucedida em encontrar água utilizável nos próximos meses, o caminho para o “pouso proibido” dos taikonautas em 2030 estará tecnicamente livre de obstáculos.