Serviço gratuito e sigiloso pode ser acessado pelo Meu SUS Digital e também oferece orientação a familiares e pessoas da rede de apoio
O teleatendimento do SUS para problemas com apostas oferece assistência gratuita e sigilosa a pessoas com dificuldades para controlar jogos e apostas online. O serviço também pode ser utilizado por familiares e integrantes da rede de apoio que precisam de acolhimento e orientação profissional.
A iniciativa integra a resposta do Sistema Único de Saúde aos impactos das apostas sobre a saúde mental, a vida financeira e as relações familiares e sociais. O transtorno do jogo é reconhecido como um problema de saúde caracterizado pela dificuldade de controlar o impulso de apostar, mesmo quando a prática já provoca prejuízos.
Como acessar o teleatendimento
O primeiro passo é entrar no Meu SUS Digital pelo aplicativo ou pela versão disponível na internet. O usuário deve fazer o login com sua conta gov.br e seguir este caminho:
- selecionar a área “Miniapps”;
- escolher “Problemas com jogos de apostas?”;
- responder ao autoteste;
- acompanhar a orientação apresentada pelo sistema.
O serviço foi lançado para pessoas com 18 anos ou mais, além de familiares e integrantes da rede de apoio. Quando o resultado aponta risco moderado ou elevado, o encaminhamento para o teleatendimento é realizado pela própria plataforma. Nos demais casos, o usuário recebe informações sobre os serviços disponíveis na Rede de Atenção Psicossocial.
O autoteste sobre jogos e apostas ajuda a identificar comportamentos de risco, mas não representa diagnóstico médico ou psicológico. As respostas não substituem uma avaliação profissional, especialmente quando já existem prejuízos financeiros, emocionais, familiares ou profissionais.
Sinais que merecem atenção
A pessoa deve procurar ajuda quando começa a gastar mais tempo ou dinheiro do que havia planejado, tenta diminuir as apostas e não consegue ou passa a jogar para recuperar valores perdidos.
Outros sinais importantes incluem:
- esconder apostas de familiares e amigos;
- comprometer dinheiro destinado a contas básicas;
- apresentar irritação ou ansiedade quando não está jogando;
- sofrer alterações no sono, no humor ou na alimentação;
- usar o jogo para aliviar tristeza, estresse ou frustração;
- prejudicar relações pessoais, trabalho ou estudos;
- pedir dinheiro emprestado para continuar apostando.
O Ministério da Saúde também alerta para sentimentos de culpa, vergonha, isolamento e aumento do consumo de álcool ou outras drogas. Esses comportamentos não devem ser tratados como falta de caráter ou ausência de força de vontade. O transtorno do jogo exige acolhimento e cuidado, sem julgamento ou estigmatização.
Atendimento também pode começar presencialmente
Quem não consegue utilizar a ferramenta digital ou prefere conversar pessoalmente pode procurar uma Unidade Básica de Saúde. A equipe fará o acolhimento, a orientação e a avaliação inicial.
Quando houver necessidade de acompanhamento especializado, o usuário poderá ser encaminhado para um Centro de Atenção Psicossocial. A Rede de Atenção Psicossocial oferece cuidado multiprofissional e articulação com outros serviços do SUS, conforme a necessidade de cada pessoa.
Familiares também podem buscar atendimento. O apoio da família é importante para reconhecer mudanças de comportamento, evitar novos prejuízos e acompanhar o tratamento, mas não substitui a assistência profissional.
Autoexclusão ajuda a bloquear novas apostas
Outra medida disponível é a plataforma centralizada de autoexclusão do governo federal. Por meio dela, o cidadão pode solicitar o bloqueio das contas mantidas nas empresas de apostas autorizadas, impedir a abertura de novas contas com o mesmo CPF e interromper o envio de publicidade direcionada.
A ferramenta pode ser utilizada como parte de uma estratégia de proteção, mas não substitui o cuidado em saúde mental. Quem percebe perda de controle deve combinar a restrição de acesso às plataformas com orientação profissional e apoio de pessoas de confiança.
Em situações de sofrimento intenso, pensamentos de morte ou risco imediato, a orientação oficial é ligar para o Samu pelo número 192 ou procurar a Unidade de Pronto Atendimento mais próxima.