O início das obras de reparo e recuperação do túnel do Tibau recoloca a Região Oceânica diante de uma promessa que há anos circulava mais como cobrança do que como solução. Segundo a Prefeitura de Niterói, a intervenção foi liberada após concessão da licença ambiental, terá investimento de R$ 38 milhões e prazo estimado de doze meses. O túnel liga a Lagoa de Piratininga ao mar e é tratado como estrutura decisiva para restabelecer a circulação das águas do sistema lagunar, reduzir a mortandade de peixes e melhorar a qualidade ambiental de uma área que reúne pesca artesanal, ocupação urbana e pressão ecológica.
O problema é que a obra chega carregando o peso do atraso. O túnel foi construído pelo Governo do Estado em 2005 e sofreu desmoronamento parcial em 2019. Desde então, a cidade conviveu com o bloqueio de uma passagem estratégica sem resposta no tempo que a gravidade do caso exigia. A própria prefeitura sustenta que aguardou por mais de um ano a licença para iniciar a recuperação, mesmo depois de decidir assumir a intervenção diante da falta de providências do Estado.
Em termos urbanos, isso escancara uma falha recorrente: Niterói só consegue avançar quando resolve absorver, com recursos e desgaste político próprios, um passivo que deveria ter sido enfrentado muito antes. O anúncio, portanto, tem dois lados. Ele representa avanço concreto porque finalmente desloca o tema da espera para a execução.
Mas também funciona como lembrete incômodo de que uma obra vital para o equilíbrio ambiental da lagoa, para a atividade dos pescadores e para o sistema lagunar inteiro ficou anos presa entre responsabilidade difusa, demora institucional e ausência de resposta efetiva. Em cidades costeiras, infraestrutura ambiental não pode ser tratada como obra periférica.
Quando ela falha, o impacto aparece na paisagem, na economia local, na circulação da água e na confiança do morador de que o poder público reagirá antes do colapso. Em Niterói, a relevância do túnel do Tibau está menos no ato de autorizar e mais na obrigação de concluir no prazo, entregar resultado mensurável e provar que reparação tardia pode recuperar credibilidade pública.