A Fundação Oswaldo Cruz conseguiu nos Estados Unidos a patente de um método de tratamento considerado promissor contra formas resistentes da malária. O registro foi concedido ao grupo de pesquisadores do Instituto René Rachou, unidade da Fiocruz em Minas Gerais, e tem validade até setembro de 2041.
O estudo utiliza o composto DAQ, apontado pelos pesquisadores como capaz de combater cepas resistentes do Plasmodium falciparum, parasita responsável pelos casos mais graves da doença. Segundo os cientistas, o diferencial do método está na capacidade de bloquear mecanismos de resistência desenvolvidos pelo microrganismo ao longo dos anos.
Os estudos também identificaram resultados positivos contra o Plasmodium vivax, responsável pela maior parte dos registros de malária no Brasil. O composto atua interferindo em processos essenciais para a sobrevivência do parasita durante a digestão da hemoglobina humana.
A pesquisa envolveu instituições brasileiras e estrangeiras, incluindo universidades da Califórnia, de Alagoas, de São Paulo e a PUC do Rio de Janeiro. Novas etapas ainda serão necessárias antes da possível utilização clínica do tratamento, incluindo testes de toxicidade, definição de doses seguras e desenvolvimento farmacêutico adequado.
Pesquisadores destacam que o baixo custo potencial do composto poderá beneficiar países com alta incidência da doença e menor capacidade financeira. A Fiocruz também informou que novos estudos seguem em andamento para ampliar a eficácia e a segurança do tratamento antes de eventual aplicação em larga escala no sistema público de saúde brasileiro futuramente.