O anúncio da pré-candidatura ao Planalto do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, pelo Democracia Cristã (DC), escanteou o ex-ministro Aldo Rebelo. A mudança, motivada pelo fraco desempenho de Rebelo nas pesquisas de intenção de voto — onde chegou a registrar 0% após ter o prazo de seis meses para crescer —, abriu um racha na legenda.
Aldo afirmou que poderá judicializar a questão caso sua pré-candidatura seja ameaçada, enquanto Barbosa não se pronunciou. Joaquim Barbosa filiou-se ao DC em abril. A direção da sigla, sob o comando do ex- deputado João Caldas, testou o nome do ex-ministro em pesquisas qualitativas. Barbosa integrou o STF de 2003 a 2014, presidiu a Corte e foi o relator do caso do mensalão. Segundo o marqueteiro do partido, Adriano Gehres, o ex-magistrado possui potencial para atrair eleitores tanto da esquerda quanto da direita, além de indecisos, por não habitar nenhum dos dois campos ideológicos.
Para o pleito, a estratégia de Barbosa inclui debater a moralização do STF e propor mandatos temporários para os ministros. Por outro lado, a decisão gerou fortes protestos de aliados de Aldo Rebelo. O presidente do diretório do DC em São Paulo, Cândido Vaccarezza, classificou o nome de Barbosa como “inapoiável”, argumentando que ele não possui experiência política nem compromisso democrático.
Em convenção do partido em Roraima, o presidente estadual da sigla, Paulo César Quartiero, também criticou duramente o ex-magistrado, relembrando o voto de Barbosa favorável à demarcação da reserva Raposa Serra do Sol quando estava no STF. Em nota, Rebelo reafirmou que se manterá na disputa, defendendo que candidaturas são projetos coletivos.