IPCA desacelera em julho, acumulado em 12 meses cai para 4,44% e volta ao intervalo de tolerância da meta de inflação.
O Brasil registrou inflação de 0,07% em julho, abaixo dos 0,16% observados em junho. O resultado confirma a desaceleração do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, considerado a inflação oficial do país, e veio acompanhado de uma queda mais forte nos preços dos alimentos.
Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o grupo Alimentação e bebidas caiu 0,67% no mês, funcionando como um dos principais freios para o índice. Em junho, esse mesmo grupo já havia recuado 0,24%, sinalizando uma sequência de alívio em uma parcela do orçamento que costuma ter impacto imediato sobre as famílias.
A desaceleração também apareceu no acumulado de 12 meses. A inflação passou de 4,64% em junho para 4,44% em julho, retornando ao intervalo de tolerância estabelecido para a meta perseguida pelo Banco Central.
Inflação volta à faixa de tolerância
A meta oficial de inflação é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Na prática, o intervalo de tolerância vai de 1,5% a 4,5%. Com o IPCA acumulado em 4,44%, o indicador voltou a ficar dentro dessa faixa depois de dois meses acima do limite superior.
Isso não significa que a inflação tenha chegado à meta de 3%. Significa apenas que o acumulado voltou ao intervalo considerado tolerável pelo regime de metas. A diferença é importante, principalmente porque os preços não se comportam da mesma maneira em todos os grupos de despesas.
Enquanto os alimentos ajudaram a conter o índice, os custos de habitação, especialmente a energia elétrica, exerceram pressão na direção contrária. O resultado final de 0,07% surgiu justamente da combinação entre esses movimentos.
Alimentos dão novo alívio ao orçamento
A queda de 0,67% em Alimentação e bebidas chama atenção porque amplia o movimento iniciado no mês anterior. Em junho, quando o IPCA havia sido de 0,16%, os alimentos tiveram a primeira redução desde novembro de 2025. Naquele mês, a alimentação consumida dentro de casa ficou, em média, 0,39% mais barata.
Para as famílias, a diferença entre inflação geral mais baixa e alimentos em queda pode ser percebida de forma mais direta no orçamento doméstico. Como alimentação representa parcela relevante das despesas mensais, principalmente entre famílias de menor renda, uma sequência de reduções tende a produzir uma sensação de alívio maior do que a simples leitura do índice geral.
Ainda assim, queda mensal não significa que todos os produtos ficaram mais baratos nem que os preços retornaram aos níveis de anos anteriores. O IPCA mede a variação dos preços de um período para outro, e não o preço absoluto encontrado no supermercado.
Juros seguem elevados
O resultado de julho também entra no cálculo das próximas decisões de política monetária. No início de agosto, o Banco Central reduziu novamente a Selic em 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica de juros para 14% ao ano, no quarto corte consecutivo. A autoridade monetária, porém, manteve uma postura cautelosa sobre os próximos passos.
A inflação mensal mais baixa e o retorno do acumulado de 12 meses à faixa de tolerância reforçam os sinais de desaceleração dos preços. Ao mesmo tempo, o Banco Central continua indicando que os juros precisam permanecer em nível restritivo para aproximar de forma sustentável a inflação da meta de 3%.
Para o consumidor, julho trouxe um resultado favorável principalmente no supermercado. A inflação perdeu força, os alimentos recuaram e o índice acumulado voltou para dentro da faixa de tolerância. O comportamento dos próximos meses mostrará se esse movimento será suficiente para transformar a desaceleração pontual em uma trajetória mais consistente de preços.