A expansão do CISP 2.0 recoloca a segurança pública no centro do debate urbano em Niterói. Segundo a prefeitura, a cidade passará de 522 para mais de 800 câmeras, com ampliação de até 40% da capacidade tecnológica e início do uso de reconhecimento facial, além de equipamentos com visão 360 graus e novos recursos de inteligência artificial.
A mudança amplia o alcance do monitoramento em bairros e vias estratégicas, mas também eleva a pressão por regras claras de governança, auditoria e controle sobre o uso desses dados. O próprio material oficial registra que outras cidades já enfrentaram falsos positivos e constrangimentos com reconhecimento facial, ponto que exige cautela antes de transformar a ferramenta em rotina operacional.
Na prática, o município informa que parte dos novos equipamentos já está sendo instalada e que as imagens continuarão servindo de apoio a investigações policiais e a processos judiciais. O sistema também segue integrado ao cercamento eletrônico nas entradas e saídas da cidade, aos drones e ao monitoramento em tempo real usado por forças municipais e estaduais.
O avanço tecnológico, porém, traz duas cobranças imediatas. A primeira é de transparência sobre critérios, bases de comparação, retenção de imagens e protocolos para correção de erro. A segunda é de materialidade: mais câmera só faz sentido se vier acompanhada de resposta operacional consistente, redução de risco e prestação de contas ao cidadão. Em uma cidade marcada por pressão sobre mobilidade, furtos, roubos e conflitos urbanos, o ganho prometido pela tecnologia terá de ser medido não pelo marketing do equipamento, mas pelo efeito concreto sobre a rua.
A discussão não é teórica. Quanto maior a malha de vigilância e quanto mais sensível o algoritmo, maior a necessidade de protocolo público sobre quem acessa, por quanto tempo guarda, em quais hipóteses compartilha e como corrige eventual identificação indevida. Sem isso, a promessa de eficiência pode conviver com contestação jurídica e desconfiança social. O salto do CISP 2.0, portanto, amplia tanto a capacidade de vigilância quanto a obrigação de controle institucional.
Outro ponto sensível é o custo político de eventual erro. Em reconhecimento facial, um falso positivo não gera apenas estatística ruim, gera abordagem indevida, constrangimento e questionamento sobre proporcionalidade no uso da ferramenta.