A macrodrenagem do Rio Icaraí e a construção de um reservatório subterrâneo no Complexo Caio Martins, em Niterói, tiveram ordem de início anunciada para esta sexta-feira (23). A intervenção pretende reduzir alagamentos recorrentes em Icaraí, Santa Rosa e no entorno do Largo do Marrão. O anúncio, contudo, não informa sozinho quando os moradores começarão a perceber resultados.
Segundo a divulgação da ordem de início das obras, a Prefeitura previu prazo de aproximadamente um ano e meio. Uma área de cerca de 25 mil metros quadrados do estádio foi cedida pelo Governo do Estado em setembro. A construção deverá ocupar parte do antigo campo de futebol e envolver novas redes para captar águas das chuvas.
O principal questionamento está na capacidade anunciada. A divulgação do projeto básico da ION descrevia um reservatório de 80 milhões de litros. Já a descrição da Licitação 01/2026 registra capacidade de 102.659 metros cúbicos, equivalentes a aproximadamente 102,7 milhões de litros. As duas medidas não são iguais. Isso não comprova erro ou irregularidade, mas exige explicação técnica sobre eventual revisão do projeto.
A administração precisa apresentar a versão contratada, os desenhos executivos aprovados, o valor efetivo da obra e a medição de serviços que fundamentará os pagamentos. Também deve esclarecer quais ruas receberão intervenções, quando ocorrerão alterações na circulação e como serão protegidos pedestres, comerciantes e moradores diante das escavações.
A previsão de seis quilômetros de redes de drenagem inclui trechos de macro e microdrenagem. É preciso divulgar etapas verificáveis para acompanhar o avanço, inclusive o funcionamento das bombas, a destinação da água e o plano de manutenção do sistema depois da entrega.
Obras dessa escala não podem ser avaliadas apenas pela solenidade de assinatura. Niterói deve informar o cronograma atualizado e publicar indicadores que permitam medir redução de alagamentos nas próximas chuvas intensas. Enquanto isso, a população continuará dependendo dos sistemas de drenagem existentes e dos alertas de prevenção.
O município deverá divulgar ainda os relatórios sobre a estabilidade das edificações próximas, a localização dos pontos de obra, as etapas de escavação e a programação de medidas emergenciais durante temporais, inclusive contatos para reclamações públicas.