Iniciativas selecionadas atuam em cinco estados, incluindo o Rio de Janeiro, com projetos de restauração, proteção de mananciais e desenvolvimento sustentável
O Camp Viva Água selecionou 21 soluções ambientais indicadas para receber até R$ 10,5 milhões em apoio financeiro. Os projetos serão desenvolvidos na Bahia, em Minas Gerais, no Paraná, no Rio de Janeiro e em São Paulo, com foco na conservação de mananciais, recuperação de ecossistemas e adaptação aos efeitos das mudanças climáticas.
O resultado faz parte da Teia de Soluções Camp Viva Água, iniciativa coordenada pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. A edição contou com a parceria do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, o BRDE, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia, a Fapesb, e da Fundação Araucária.
As propostas foram organizadas em dois grandes eixos. O primeiro, chamado Infraestrutura Natural para Água, reúne ações de conservação e restauração de áreas que ajudam a manter a disponibilidade e a qualidade dos recursos hídricos. O segundo, Empreendedorismo e Água, apoia negócios e cadeias produtivas que conciliam geração de renda e proteção da natureza.
De acordo com o resultado oficial do Camp Viva Água, a liberação dos recursos ainda depende da apresentação dos documentos necessários e do cumprimento de eventuais adequações exigidas pelas instituições responsáveis.
Projetos alcançam o Rio de Janeiro
Entre as iniciativas indicadas pela Fundação Grupo Boticário estão os projetos “Corredores do Guapiaçu” e “Guapiaçu: água e restauração territorial”. As propostas estão ligadas à bacia do Rio Guapiaçu, em Cachoeiras de Macacu, região importante para o abastecimento da porção leste da Região Metropolitana do Rio.
A área é reconhecida pelas ações de restauração da Mata Atlântica desenvolvidas pela Reserva Ecológica de Guapiaçu, a REGUA. A instituição informa que mais de 700 hectares já foram restaurados e que a marca de 1 milhão de mudas nativas plantadas foi alcançada em 2025.
A bacia formada pelos rios Guapiaçu e Macacu está diretamente ligada ao abastecimento de milhões de moradores da Região Metropolitana. A recuperação de nascentes, margens de rios, áreas alagadas e encostas contribui para reduzir a erosão, conter sedimentos e melhorar a qualidade da água que chega aos sistemas de captação.
Soluções incluem drones, inteligência artificial e cisternas
A relação de projetos contempla diferentes estratégias. Entre elas estão a criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural, recuperação de nascentes, implantação de corredores ecológicos, restauração florestal, sistemas agroflorestais e construção de áreas úmidas artificiais, conhecidas como wetlands.
Também foram selecionadas iniciativas que utilizam drones para restauração de áreas degradadas, sensores e inteligência artificial para monitorar o consumo de água, reservatórios verdes, biofiltros produzidos com cogumelos regionais e sistemas de cisternas associados ao conhecimento tradicional.
Das 21 propostas selecionadas, 12 foram indicadas para apoio da Fundação Grupo Boticário, duas pelo BRDE, quatro pela Fapesb e três pela Fundação Araucária. O material encaminhado pela organização reúne a relação completa das iniciativas e detalha a distribuição entre as instituições financiadoras.
Segundo Marion Silva, gerente de Conservação da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário, a iniciativa busca fortalecer soluções capazes de enfrentar desafios relacionados à segurança hídrica, aliando proteção ambiental e desenvolvimento socioeconômico.
Movimento pretende alcançar 25 milhões de pessoas
O Camp integra a expansão do Movimento Viva Água, que conecta empresas, governos, universidades, organizações sociais e comunidades em torno da proteção de bacias hidrográficas.
Atualmente, as ações abrangem a Região Hidrográfica da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, a bacia do Rio Miringuava, no Paraná, o Sistema Cantareira, entre São Paulo e Minas Gerais, e as bacias dos rios Joanes e Jacuípe, na Bahia.
O movimento atua com conservação da vegetação nativa, recuperação de ecossistemas, agricultura sustentável e apoio ao empreendedorismo de impacto socioambiental. A presença de vegetação em nascentes e margens de rios ajuda a manter a umidade do solo, reduzir o volume de sedimentos e melhorar a qualidade da água.
A previsão é que, até 2030, o Viva Água esteja presente em seis territórios e alcance direta ou indiretamente 25 milhões de brasileiros. A iniciativa informa ainda que mais de 100 organizações já estão envolvidas no movimento.
Segurança hídrica exige ação permanente
A seleção dos projetos ocorre em um cenário de maior pressão sobre mananciais, provocado pelo crescimento urbano, pela degradação de áreas naturais e pela intensificação de eventos climáticos extremos.
A segurança hídrica não depende apenas da existência de reservatórios. Ela envolve a proteção das áreas onde a água nasce, percorre o solo e chega aos rios, além da redução da poluição e da recuperação de ambientes degradados.
No Rio de Janeiro, iniciativas voltadas ao Guapiaçu têm importância regional porque a bacia participa do abastecimento de municípios do Leste Fluminense. O avanço dos projetos deverá ser acompanhado durante a fase de contratação, execução e medição dos resultados ambientais.