O Conselho Nacional de Educação aprovou, nesta segunda-feira (11), um parecer com orientações para o uso da inteligência artificial na educação básica e no ensino superior. O texto define parâmetros para escolas e universidades adotarem a tecnologia com mais segurança.
A medida reforça cuidados com a proteção de dados dos estudantes, a atuação dos professores e os riscos do uso inadequado de ferramentas digitais.
IA deve apoiar o trabalho dos professores
O debate sobre inteligência artificial na educação ganhou força nos últimos anos. A tecnologia já é usada para apoiar o planejamento de aulas, organizar conteúdos, personalizar atividades e acompanhar o desempenho dos alunos.
No entanto, o parecer do CNE deixa claro que a inteligência artificial não substitui o professor. A ferramenta deve servir como apoio ao processo pedagógico.
Na prática, isso significa que a tecnologia precisa ter finalidade educativa. O uso sem orientação pode gerar respostas rápidas, mas nem sempre contribui para a aprendizagem.
Para o especialista em projetos educacionais Igor Ventura, do Grupo Eureka, a aprovação das diretrizes ajuda a organizar o uso da IA nas escolas.
“A regulamentação pelo CNE é importante para reforçar que a IA deve ser usada de forma responsável e como uma ferramenta a serviço do professor, mediada pelo educador”, afirma Ventura.
Segundo ele, o próximo passo é avançar em políticas públicas que garantam formação e condições reais para os docentes utilizarem a tecnologia em sala de aula.
Escolas do Rio já testam tecnologia
No Rio de Janeiro, redes públicas já testam formas de usar a inteligência artificial no dia a dia escolar. Desde maio de 2024, estudantes e educadores contam com a ProfessorIA, ferramenta disponível na plataforma e-Rio.
A tecnologia utiliza avatares que interagem com os estudantes de forma personalizada. O principal avatar, Maria de Fátima, responde a dúvidas gerais. Outros módulos atendem temas específicos, como recomposição de aprendizagem, Educação de Jovens e Adultos e educação inclusiva.
De acordo com o material de divulgação, a ferramenta registra mais de 134 mil interações. Também reúne mais de 25 mil professores e cerca de 130 mil estudantes cadastrados.
A ProfessorIA é moderada por educadores. Além disso, conta com professores especializados para acompanhar a qualidade dos conteúdos oferecidos aos alunos.
Projetos ajudam alunos na preparação para o Enem
Na capital, o Colégio Estadual Castelnuovo desenvolve o projeto Giroteca Ativa. A iniciativa usa tecnologia para fortalecer a leitura, a escrita e a preparação para a redação do Enem.
O projeto surgiu a partir de uma demanda dos próprios estudantes, especialmente da Educação de Jovens e Adultos. Eles pediram mais atividades voltadas à produção textual.
Com isso, professores de Língua Portuguesa organizaram uma sequência de atividades sobre dissertação argumentativa. A inteligência artificial passou a apoiar o planejamento das aulas e a elaboração das propostas pedagógicas.
Segundo o professor Eduardo Tavares, a ferramenta ajuda a antecipar dúvidas e a simular perguntas que podem surgir durante as atividades.
“A gente trabalha muito com projetos na escola e a inteligência artificial tem nos ajudado a antecipar dúvidas e simular perguntas que os próprios alunos fariam ao longo das atividades”, explica o professor.
Niterói usa IA em simulados e exercícios
Em Niterói, o Colégio Estadual Machado de Assis também usa recursos digitais em sala de aula. O professor de Biologia Henrique Costa utiliza a ProfessorIA para aproximar os estudantes do formato das principais provas de acesso ao ensino superior.
Durante as aulas, ele aplica simulados e exercícios inspirados em provas anteriores do Enem e de vestibulares estaduais. Com o apoio da plataforma, consegue montar listas personalizadas e ajustar o nível de dificuldade conforme o perfil de cada turma.
Para o professor, a inteligência artificial facilita o planejamento e permite adaptar materiais para estudantes que precisam de abordagens diferentes.
“A inteligência artificial facilita muito o planejamento das atividades. Eu utilizo para montar listas de exercícios, elaborar provas e até adaptar textos para alunos que precisam de uma abordagem diferenciada”, afirma Henrique Costa.
Uso exige formação e responsabilidade
O avanço dessas experiências mostra que a discussão sobre inteligência artificial na educação deixou de ser uma hipótese distante. Ela já faz parte da rotina de escolas, professores e estudantes.
Para o estudante fluminense, o impacto dependerá menos da presença da tecnologia e mais da forma como ela será aplicada.
Sem formação docente, critérios claros e proteção de dados, a inovação pode ser mal aproveitada. Com orientação pedagógica, porém, a inteligência artificial pode ajudar professores e alunos a enfrentar desafios antigos da aprendizagem.