A Organização Mundial da Saúde decretou emergência de saúde pública internacional após o avanço do vírus Ebola na República Democrática do Congo e em Uganda. Segundo informações oficiais divulgadas pela entidade, 246 casos suspeitos já foram registrados na região africana, com 80 mortes notificadas até o último dia 16. Uganda também confirmou uma morte relacionada à doença em paciente que havia viajado para áreas afetadas pela contaminação.
O diretor geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a decisão levou em consideração o risco de disseminação internacional, as dificuldades estruturais enfrentadas pelos sistemas de saúde locais e o aumento da circulação de pessoas entre regiões de fronteira. A cepa identificada no atual surto é a Bundibugyo, variante para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos específicos aprovados.
Esta é a nona vez que a OMS aciona o estágio máximo de alerta sanitário mundial. O mecanismo já foi utilizado durante a pandemia da Covid 19, nos surtos de mpox, gripe suína H1N1, zika e em outras duas crises provocadas pelo Ebola na África.
Apesar da gravidade do cenário, a entidade informou que a situação ainda não atende aos critérios técnicos para classificação de pandemia global. Mesmo assim, autoridades internacionais reforçaram orientações para vigilância epidemiológica, controle sanitário em fronteiras e monitoramento permanente de novos casos suspeitos em países vizinhos.
Especialistas ouvidos por organismos internacionais alertam que surtos anteriores do Ebola demonstraram alta capacidade de mortalidade em regiões com infraestrutura precária. Entre 2014 e 2016, a doença provocou mais de 11 mil mortes na África Ocidental. A OMS informou que equipes médicas seguem mobilizadas para ampliar o rastreamento de contatos, acelerar diagnósticos laboratoriais e reduzir riscos de transmissão comunitária em cidades afetadas.