A quebra de sigilo bancário do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, revelou movimentação de R$ 19,5 milhões em contas mantidas no Banco do Brasil entre 3 de janeiro de 2022 e 30 de janeiro de 2026. Os dados constam de relatório obtido no âmbito da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social.
Segundo os documentos analisados pela comissão, o volume total considera entradas de R$ 9,77 milhões e saídas de R$ 9,75 milhões ao longo do período. A quebra de sigilo foi aprovada pela CPMI do INSS durante votação em bloco, procedimento que acabou contestado por parlamentares da base governista.
Em decisão relacionada ao caso, o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino considerou irregular o formato da votação ao analisar pedido apresentado pela advogada Roberta Luchsinger. Até o momento, porém, a decisão não anulou especificamente a quebra de sigilo referente ao filho do presidente.
Paralelamente, o ministro André Mendonça autorizou que a Polícia Federal tenha acesso a dados bancários dentro das apurações sobre supostas fraudes no INSS. Investigadores avaliam a hipótese de repasses mensais feitos pelo empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido nos autos como Careca do INSS.
Outro ponto revelado pelo relatório da CPMI indica transferências feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao filho. Entre 2022 e janeiro de 2026 os registros apontam repasses que somam R$ 721 mil.
O maior depósito ocorreu em 22 de julho de 2022, no valor de R$ 384 mil, durante o período de pré campanha presidencial. Também aparecem transferências de R$ 244 mil e R$ 92.463,90 registradas em 27 de dezembro de 2023.
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva sustenta que todas as movimentações possuem origem lícita. O advogado Guilherme Suguimori afirma que a soma de entradas e saídas não representa patrimônio líquido, pois um mesmo valor pode aparecer várias vezes no relatório em operações financeiras distintas.
Segundo a defesa, parte dos recursos decorre de atividades empresariais ligadas às companhias LLF Tech Participações e G4 Entretenimento e Tecnologia, além de rendimentos de aplicações financeiras e antecipação de herança de Marisa Letícia, falecida em 2017.
Os advogados também afirmam que o vazamento de dados fiscais constitui crime grave e informam que o caso será comunicado às autoridades competentes. Eles sustentam ainda que não tiveram acesso integral aos documentos utilizados pela comissão parlamentar.
O episódio mantém pressão política sobre a investigação da CPMI do INSS, que busca esclarecer possíveis conexões financeiras envolvendo empresários, operadores e contratos ligados ao sistema previdenciário.