A partir de uma área experimental de mil hectares, projeto no oeste da Bahia cresceu com a produção de grãos e fibras e passou a exigir estradas, energia, preservação e relações permanentes com o território.
Em 1994, uma área experimental de mil hectares marcou o início das atividades agrícolas do Agronegócio Estrondo no oeste da Bahia. O número parece pequeno diante da dimensão que o projeto alcançaria nas décadas seguintes, mas ajuda a entender o ponto de partida de uma frente que Ronald Guimarães Levinsohn havia preparado anos antes, quando adquiriu propriedades na região e passou a apostar no potencial agrícola do cerrado.
A operação se desenvolveria em Formosa do Rio Preto, município de território extenso, longas distâncias internas e infraestrutura ainda limitada naquele período. Produzir em escala exigia muito mais do que abrir áreas agrícolas. Era necessário organizar acesso, energia, armazenagem, transporte, mão de obra e uma estrutura permanente capaz de funcionar em uma região que ainda consolidava sua vocação para grãos e fibras.
1994 / Da área experimental à produção em escala
Segundo o histórico publicado pelo próprio empreendimento, as atividades agrícolas começaram em 1994, inicialmente na Fazenda Santana, com mil hectares experimentais. A expansão ocorreu ao longo dos anos. Hoje, o Estrondo reúne fazendas produtoras principalmente de soja, milho e algodão, culturas que também se tornaram marcas do desenvolvimento agrícola do oeste baiano.
O crescimento da lavoura ajuda a explicar apenas uma parte da história. Para que a produção pudesse ganhar escala, a infraestrutura regional precisou acompanhar o avanço agrícola. Esse é um dos aspectos que diferencia o Estrondo de uma iniciativa limitada à porteira da fazenda.
Estradas, energia e a logística que sustenta a lavoura
O site institucional do empreendimento registra investimentos históricos em estradas de acesso, manutenção de rodovias, pontes e rede elétrica. Em 2024, o Estrondo, produtores da região e o Governo da Bahia avançaram em intervenções na BA-458, via utilizada no escoamento de parte importante da produção de Formosa do Rio Preto.
Naquele trabalho, tratores agrícolas equipados com terraceadores foram empregados na terraplanagem de um trecho ainda sem pavimentação. A iniciativa mostra como equipamentos concebidos para a atividade rural também passaram a ser utilizados para enfrentar um problema de logística que atingia produtores e trabalhadores.
A energia elétrica também entrou nessa transformação. Uma nova linha de subtransmissão da Neoenergia Coelba passou a integrar o processo de ampliação da capacidade energética do extremo oeste baiano. Para o empreendimento, a melhoria do fornecimento representa a possibilidade de reduzir a dependência de geradores a diesel em algumas estruturas e incorporar novas tecnologias à operação.
Quando o empreendimento passa a se relacionar com o território
Com o passar dos anos, o Estrondo passou a registrar também ações fora do campo produtivo. O material reunido para a coluna cita Dino, funcionário do empreendimento, como uma das pessoas que acompanharam a presença do projeto no oeste da Bahia. Em seu relato, a trajetória do Estrondo aparece associada à geração de empregos, renda e oportunidades na região.
Os registros institucionais relacionam ainda o empreendimento a ações socioculturais e comunitárias, entre elas apoio a iniciativas esportivas, atividades locais, arrecadação de alimentos e projetos desenvolvidos com moradores de Formosa do Rio Preto e comunidades próximas.
Entre essas iniciativas está uma ação liderada por ciclistas de Formosa do Rio Preto, que levou alimentos a centenas de famílias em situação de vulnerabilidade e contou com a doação de dezenas de cestas básicas pelo Agronegócio Estrondo. O empreendimento também patrocinou a campanha Outubro Rosa, dedicada à conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama e do colo do útero.
Essas ações não substituem a atividade agrícola nem definem sozinhas o impacto regional do empreendimento. Elas mostram, porém, que uma operação com presença de décadas passou a estabelecer relações que vão além da produção, envolvendo circulação de trabalhadores, infraestrutura, serviços e iniciativas comunitárias.
Produção e preservação no mesmo território
A dimensão ambiental também passou a fazer parte dessa estrutura. Segundo o próprio Agronegócio Estrondo, mais de 68 mil hectares de sua extensão são mantidos como reserva. O dado é institucional e deve ser entendido dessa forma, mas ajuda a demonstrar a escala do planejamento exigido por um empreendimento rural desse porte.
A convivência entre lavoura, áreas preservadas, estradas, armazenagem e redes de energia transforma o território em um sistema complexo. Não se trata apenas de medir quantas toneladas são produzidas, mas de compreender como uma operação agrícola de longo prazo organiza os elementos necessários para permanecer ativa.
Uma frente da trajetória de Ronald que permaneceu
Ronald Guimarães Levinsohn morreu em janeiro de 2020. A atividade agrícola, no entanto, continuou. Soja, milho e algodão permanecem entre as principais culturas, enquanto projetos de infraestrutura, modernização energética e ações comunitárias seguem aparecendo nos registros mais recentes.
Esse caráter de continuidade acrescenta uma perspectiva ao impacto socioeconômico já associado ao Estrondo. A importância histórica da iniciativa não está apenas no tamanho alcançado pela produção, mas na capacidade de atravessar diferentes fases do oeste baiano e continuar operando depois da morte de seu fundador.
Mais de três décadas depois do início da produção agrícola, o Estrondo ajuda a revelar uma dimensão específica da trajetória de Ronald Levinsohn. No oeste da Bahia, a aposta feita sobre o cerrado deu origem a uma estrutura que passou a reunir produção, logística, energia, preservação e relações comunitárias. O que começou como uma frente agrícola tornou-se uma presença permanente no território.