Vista Verde, Jardim das Colinas, shopping, teatro, hotel e torre corporativa mostram como um projeto iniciado nos anos 1970 foi ganhando novas funções e ajudou a redesenhar a região oeste da cidade.
No início dos anos 1980, parte da região oeste de São José dos Campos ainda estava distante da configuração urbana que apresenta hoje. Foi naquele cenário que Ronald Guimarães Levinsohn adquiriu uma área próxima ao Jardim Esplanada, à região central e à Rodovia Presidente Dutra. A decisão seria o ponto de partida para um conjunto de empreendimentos que, ao longo das décadas seguintes, ajudaria a formar uma nova centralidade na cidade.
1975 a 1980 / Antes do shopping, a ideia de planejar a cidade
A experiência de Ronald em São José dos Campos havia começado antes. Em 1975, ele e o empresário norte-americano Rodman Rockefeller desenvolveram o Vista Verde, apresentado pelo Grupo Colinas como o primeiro bairro planejado do município.
Em 1980, Ronald adquiriu a área que se tornaria conhecida como região do Colinas. O projeto imaginado para aquele território não se limitava a um loteamento ou a um centro comercial isolado. A proposta era combinar moradia, comércio, serviços, lazer e, posteriormente, atividade corporativa em um mesmo eixo de crescimento.
1993 a 1997 / O bairro ganha forma e o shopping abre as portas
Em 1993, foi lançado o Jardim das Colinas, empreendimento residencial de alto padrão. No ano seguinte começaram as obras do Colinas Shopping, inaugurado em maio de 1997 por Ronald e sua família, em uma cerimônia que reuniu autoridades e personalidades.
A inauguração já trazia elementos que buscavam diferenciar o empreendimento. O Colinas recebeu o primeiro complexo da rede Cinemark no Brasil, com 12 salas e tecnologias então pouco comuns no país. Esse pioneirismo já havia sido abordado por O FLUMINENSE na matéria “Colinas Shopping, do Sonho à Realidade”. O novo recorte, porém, está no que aconteceu ao redor do shopping depois que ele começou a operar.
Uma centralidade construída em etapas
Ao longo dos anos, novas estruturas foram acrescentadas ao conjunto. Em 2009, o Teatro Colinas abriu com 320 lugares, ampliando a presença cultural do empreendimento. Em 2010, o Grupo Colinas anunciou o projeto de expansão que incluiria a Colinas Green Tower.
Em 2013, o shopping passou por revitalização e ganhou nova praça de alimentação. No mesmo ano, o lançamento do Jardim do Golfe reforçou a ocupação de alto padrão no entorno. Em 2015, a inauguração do Golden Tulip São José dos Campos acrescentou hotelaria e gastronomia ao complexo.
A sequência mostra que o shopping foi apenas uma das etapas de um desenho urbano mais amplo. Moradia, comércio, lazer, cultura, hotelaria e serviços corporativos passaram a funcionar de forma complementar em uma área que, décadas antes, era descrita como ainda não habitada.
2020 / A dimensão corporativa
Em 2020, a Colinas Green Tower consolidou a vertente empresarial do complexo. A torre, classificada como empreendimento Triple A, recebeu certificação LEED Gold e passou a integrar empresas de grande porte ao mesmo território ocupado pelo shopping, hotel e restaurante.
A presença de uma estrutura corporativa desse porte reforçou a mudança de escala do projeto. O Colinas deixou de ser entendido apenas como centro de compras e passou a funcionar como um complexo multiúso conectado a diferentes atividades da vida urbana.
Quase 30 anos depois
Em 2026, perto de completar três décadas de funcionamento, o Colinas continuava em expansão. Reportagem da Gazeta de São Paulo informou que mais de 1,7 mil empregos diretos e indiretos estavam ligados ao complexo.
O próprio shopping informa atualmente reunir mais de 130 lojas, além de cinema, teatro, academia, serviços e alimentação, permanecendo interligado ao hotel Golden Tulip e à Colinas Green Tower.
Esse resultado permite observar o Colinas como parte de uma transformação urbana de longo prazo. O empreendimento inaugurado em 1997 não ficou isolado no território: foi sucedido por residenciais, hotel, teatro, torre corporativa e novas áreas de serviços, compondo uma região que passou a concentrar atividades diferentes.
O que esse episódio revela sobre Ronald
A trajetória do Colinas ajuda a compreender uma característica recorrente nos projetos associados a Ronald Levinsohn: pensar estruturas capazes de crescer por etapas. Em São José dos Campos, o resultado não foi apenas um edifício comercial, mas um conjunto que continuou recebendo novas funções ao longo de décadas.
Ronald faleceu em janeiro de 2020, mas o projeto permaneceu em expansão. A continuidade do complexo, quase trinta anos depois da inauguração do shopping, oferece uma medida concreta do alcance daquela decisão tomada quando a região oeste ainda tinha muito espaço por ocupar.