Teste imunoquímico fecal é voltado a homens e mulheres de 50 a 75 anos sem sintomas e pode ser coletado em casa.
O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a adotar o Teste Imunoquímico Fecal, conhecido pela sigla FIT, como exame de referência para o rastreamento do câncer colorretal em homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos. A estratégia busca identificar alterações antes do aparecimento de sintomas e ampliar as possibilidades de diagnóstico precoce.
A inclusão operacional do exame na rede pública dá sequência ao protocolo nacional anunciado pelo Ministério da Saúde. Na matéria preparada para a edição impressa, o novo procedimento é registrado como integrante da tabela do SUS para o rastreamento bienal dessa população.
O FIT é um exame de fezes capaz de detectar pequenas quantidades de sangue oculto, que não podem ser percebidas a olho nu. Esse sangramento pode estar relacionado a pólipos, lesões pré-cancerígenas ou ao próprio câncer de intestino, embora um resultado positivo, isoladamente, não confirme a presença de tumor. O teste utiliza anticorpos específicos para identificar sangue humano.
Coleta pode ser feita em casa
Uma das vantagens do novo método é a simplicidade. O paciente recebe um kit e pode realizar a coleta da amostra em casa. O exame não exige preparo intestinal nem dieta restritiva e pode ser realizado com uma única amostra de fezes, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Depois da coleta, o material segue para análise laboratorial. Caso seja identificada a presença de sangue oculto, o paciente deve ser encaminhado para investigação complementar. A colonoscopia está entre os exames usados nessa etapa porque permite visualizar diretamente o cólon e o reto, além de possibilitar a retirada de pólipos durante o procedimento.
Segundo o Ministério da Saúde, o FIT apresenta sensibilidade entre 85% e 92% para identificar possíveis alterações. A estimativa do INCA é de 53,8 mil novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil entre 2026 e 2028.
Rastreamento não substitui investigação de sintomas
A indicação para pessoas sem sintomas é um ponto importante do novo protocolo. Rastreamento e investigação diagnóstica são situações diferentes. O rastreamento procura alterações em uma população aparentemente saudável, enquanto pessoas que já apresentam sinais suspeitos devem passar por avaliação médica específica.
Entre os sinais que merecem investigação estão sangue nas fezes, alterações persistentes do hábito intestinal, dor abdominal, perda de peso sem causa aparente e anemia. O INCA orienta que esses sintomas sejam avaliados por um profissional de saúde, mesmo porque também podem estar relacionados a outras doenças.
Para quem está entre 50 e 75 anos e não apresenta sintomas, a orientação é procurar a unidade de saúde para saber como o rastreamento será organizado na rede local. A implementação exige não apenas a oferta do teste, mas também fluxo para entrega do resultado, encaminhamento dos casos positivos e realização dos exames complementares necessários.