Levantamento da Conab mostra recuo também para melancia, laranja e maçã, mas cebola, alface e banana ficaram mais caras no período.
O preço médio do tomate comercializado no atacado caiu 15,85% em junho, na comparação com maio, nas principais Centrais de Abastecimento pesquisadas pela Companhia Nacional de Abastecimento. O valor médio ponderado chegou a R$ 5,59 por quilo, segundo o 7º Boletim Hortigranjeiro de 2026.
O levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento indica que a redução foi provocada principalmente pelo aumento da oferta. A intensificação da safra de inverno colocou mais produto nos entrepostos, mesmo com as temperaturas mais baixas e o amadurecimento mais lento registrado nas áreas produtoras.
A maior queda entre as centrais analisadas ocorreu em Recife, onde o preço médio do tomate recuou 61,32%. Os resultados variaram entre as regiões porque cada mercado recebe produtos de diferentes áreas produtoras e enfrenta condições próprias de oferta, transporte e demanda.
Melancia e laranja recuam no Rio
O comportamento de outras frutas também chamou atenção. No atacado do Rio de Janeiro, a melancia ficou 32% mais barata, enquanto a laranja registrou queda de 18,29%. Na média nacional das Ceasas pesquisadas, os recuos foram de 24,02% para a melancia e 13,20% para a laranja.
A demanda menor durante o inverno contribuiu para a queda da melancia, principalmente nas regiões Sul e Sudeste. No caso da laranja, a Conab relacionou o movimento à regularidade dos estoques de suco e à redução da procura internacional em comparação com anos anteriores.
A maçã também ficou mais barata, com recuo médio de 2,81%, favorecido pela maior oferta da variedade fuji produzida no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. O mamão apresentou redução nacional de 1,56%, mas teve um comportamento diferente no Rio, onde o preço aumentou 51,13% no período.
Nem todos os produtos ficaram mais baratos
O boletim mostra que a queda não atingiu toda a cesta de frutas e hortaliças. A cebola subiu 8,46% na média ponderada, enquanto a alface avançou 11,99%. Entre as frutas pesquisadas, a banana foi a única a registrar aumento médio, de 2,10%.
A batata terminou junho com elevação média de 1,81%, apesar de ter ficado mais barata em seis das 11 centrais avaliadas. Os preços recuaram em mercados como Goiânia, Curitiba, Recife, São Paulo e Belo Horizonte, demonstrando que um índice nacional não reproduz necessariamente a realidade encontrada em cada cidade.
O Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro reúne informações sobre preços, volumes comercializados e regiões produtoras. Esses dados ajudam a acompanhar tendências do atacado, mas não representam automaticamente os valores cobrados em feiras, mercados e supermercados.
Entre a Ceasa e o consumidor final existem custos de transporte, armazenamento, perdas e operação comercial. Por isso, uma redução de 15,85% no atacado pode chegar ao varejo de maneira gradual e em proporção diferente.
Para economizar, o consumidor pode comparar preços entre estabelecimentos, observar produtos da estação e substituir temporariamente itens que estejam mais caros. No Rio de Janeiro, a diferença registrada entre a queda da melancia e da laranja e o aumento do mamão mostra a importância de pesquisar antes da compra.
Exportações de frutas crescem 13%
O boletim também registrou crescimento das exportações brasileiras de frutas. No primeiro semestre de 2026, o país enviou ao exterior 632,85 mil toneladas, volume 13% superior ao apurado no mesmo período de 2025.
O faturamento chegou a US$ 775 milhões, alta de 19,2%. Os maiores avanços ocorreram nos embarques de maçã, com crescimento de 225%, abacate, com 93%, e manga, com 38%.