O Túnel do Tibau, ligação entre a Lagoa de Piratininga e o mar, entrou em nova etapa de recuperação na quarta-feira (21), em Niterói. A Prefeitura anuncia investimento de R$ 38 milhões e prazo de 12 meses. O desafio é transformar o início das obras em recuperação ambiental mensurável, depois de anos de restrição à passagem da água e prejuízos à atividade pesqueira.
O túnel, construído pelo Governo do Estado, sofreu desmoronamentos entre 2018 e 2019. Desde então, a renovação das águas ficou comprometida, segundo a administração municipal. A obra pretende restabelecer o intercâmbio com o oceano e reduzir condições associadas à mortandade de peixes. A promessa exige controle técnico contínuo, não apenas fotografias da frente de serviço.
Nesta fase, máquinas retiram o revestimento antigo de concreto e fragmentos soltos de rocha. Essa remoção permitirá examinar a estabilidade da estrutura e definir tratamentos para os trechos comprometidos. Mergulhadores também preparam um bombeamento provisório para manter a entrada de água salgada durante a intervenção.
A Prefeitura de Niterói projeta fluxo superior a mil litros por segundo após a conclusão, mais de três vezes a capacidade atual informada. Esse número representa expectativa de desempenho, não medição de resultado já obtido. A diferença é decisiva para avaliar o cumprimento do contrato e os benefícios prometidos aos moradores.
A administração deve divulgar o cronograma físico e financeiro, as etapas de inspeção geológica, os relatórios de segurança e os indicadores de qualidade da água antes, durante e depois da obra. Também precisa informar como o sistema provisório será fiscalizado, que providências estão previstas diante de novos deslocamentos de rocha e quem responderá pela manutenção permanente.
Pescadores dependem da recuperação efetiva da lagoa, não de anúncios. A Prefeitura assumiu a execução após a obtenção de autorizações ambientais e da Marinha. Com o serviço iniciado, a cobrança deixa de ser apenas pelo começo dos trabalhos: passa a exigir medição pública de avanço, prazo cumprido e redução comprovável dos riscos ambientais.
Os moradores também precisam conhecer os boletins técnicos sobre a evolução da renovação hídrica, a frequência das análises e a eventual identificação de novos riscos durante a intervenção. O Cidade de Niterói também noticiou o início da recuperação.