A percepção de deterioração do poder aquisitivo dos brasileiros atingiu o patamar mais crítico desde outubro de 2025, conforme revela o mais recente levantamento da Quaest para a Genial Investimentos. Os dados coletados em abril de 2026 indicam que 71% dos entrevistados consideram que a situação econômica piorou em relação ao ano anterior. Esse sentimento de perda é ainda mais acentuado entre os cidadãos que recebem até 2 salários mínimos, segmento que compõe a base eleitoral histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesse grupo específico, a sensação de empobrecimento saltou 13 pontos percentuais em apenas um mês, evidenciando uma desconexão entre as promessas governamentais e a dura realidade das prateleiras dos supermercados.
Inflação de alimentos castiga a base governista
A principal causa dessa erosão na renda das famílias mais humildes reside na inflação persistente de alimentos e bebidas. Segundo informações oficiais do IBGE, o acumulado de 12 meses encerrado em março de 2026 registrou uma alta de 2,16%, revertendo um ciclo anterior de desaceleração. Produtos essenciais na cesta básica como o tomate, com alta de 45,4%, e o feijão carioca, com 28,1%, sofreram reajustes severos que impactam diretamente o orçamento doméstico. A técnica de planejamento do Ipea, Maria Andréia Lameiras, esclarece que a inflação afetou de maneira desproporcional as classes baixa e média baixa, uma vez que o peso da alimentação é significativamente maior no consumo dessas camadas sociais. Para o pesquisador Luiz Guilherme Schymura, do FGV Ibre, essa carestia reduz drasticamente o salário real das pessoas, gerando uma percepção negativa generalizada sobre a gestão econômica federal.
Insegurança econômica e queda nas expectativas
O cenário futuro apresenta desafios ainda maiores com a revisão das projeções inflacionárias pelo mercado financeiro. Expectativas de alta nos combustíveis e pressões geopolíticas elevaram a projeção do IPCA para 4,8%, valor que supera o teto da meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Com a taxa Selic estimada em 12,5% ao ano para conter a carestia, o ceticismo sobre a recuperação econômica cresce. Metade dos entrevistados, ou 50%, considera que a economia brasileira piorou nos últimos 12 meses. A pesquisa, registrada no TSE sob o número BR-09285/2026, mostra que a desaprovação ao governo Lula já supera a aprovação em quase todas as faixas de renda acima de 2 pisos salariais. Enquanto o mercado espera tempos difíceis, o governo enfrenta o desgaste de sua imagem junto ao eleitor que mais depende do controle de preços. A falta de medidas eficazes para conter a alta do custo de vida coloca em xeque a sustentabilidade do apoio popular, revelando que a mesa vazia fala mais alto que o discurso político.