O envelhecimento da população brasileira está ampliando a discussão sobre quem cuida dos idosos e em quais condições esse trabalho é realizado. Dados citados em artigo encaminhado à redação mostram forte predominância do cuidado informal dentro das famílias.
Segundo estudo baseado na Pesquisa Nacional de Saúde, 81,8% dos idosos que recebiam assistência eram cuidados de forma não remunerada. Entre mais de 23 mil entrevistados, 62% tinham familiares do mesmo domicílio como principais responsáveis e apenas 3,4% contavam com cuidadores contratados.
O empresário Miranda Jr., da rede Cuidare, argumenta que o cenário expõe uma lacuna de profissionalização. Na prática, o cuidado costuma ficar concentrado em um familiar, muitas vezes uma mulher, que precisa conciliar a responsabilidade com trabalho, tarefas domésticas e vida pessoal.
O tema ganha peso à medida que aumenta a expectativa de vida. Dados do IBGE citados no artigo indicam expectativa média de 76,6 anos em 2024 e mais 22,6 anos de vida, em média, para quem chega aos 60.
Profissionalizar não significa substituir relações familiares, mas reconhecer que acompanhamento de pessoas idosas pode exigir conhecimentos técnicos sobre mobilidade, medicação, prevenção de quedas, higiene, alimentação e sinais de agravamento clínico.
Famílias que contratam cuidadores devem avaliar experiência, referências, formação compatível com as necessidades do idoso e limites claros de atribuição. Procedimentos de saúde que exigem habilitação profissional não devem ser transferidos informalmente para pessoas sem qualificação específica.