Levantamento da Firjan aponta mudança no perfil da criminalidade entre 2015 e 2025, com alta das fraudes e redução da letalidade violenta e dos roubos de rua
Os registros de estelionato no Leste Fluminense cresceram aproximadamente 277% em uma década, segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro. As ocorrências passaram de 4.002, em 2015, para 15.087, em 2025.
O recorte divulgado pela Firjan considera os municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Rio Bonito e Tanguá. Os números fazem parte do Panorama da Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro 2015-2025, elaborado com base nos registros do Instituto de Segurança Pública.
A análise mostra uma mudança no perfil da criminalidade regional. Enquanto os crimes patrimoniais praticados por meio de fraude avançaram, os indicadores de letalidade violenta e roubo de rua apresentaram queda no mesmo período.
Maricá teve a maior alta proporcional
O crescimento dos estelionatos ocorreu em todos os municípios avaliados. Maricá registrou a maior variação proporcional: os casos passaram de 267 para 2.103 entre 2015 e 2025, alta de 688%.
Rio Bonito apresentou aumento de 310%, seguido por Niterói, com 251%, Itaboraí, com 244%, e São Gonçalo, com 240%. O material encaminhado não apresenta o percentual individual de Tanguá, embora informe que todos os municípios analisados tiveram crescimento.
Os números incluem diferentes modalidades de fraude registradas como estelionato. O levantamento destaca a necessidade de ampliar a capacidade de investigação de crimes cometidos por meios digitais, mas não apresenta, no recorte enviado, uma separação entre golpes presenciais, bancários, eletrônicos ou praticados por aplicativos.
Por isso, não é possível afirmar que toda a alta tenha sido causada exclusivamente por golpes digitais. O estudo indica, porém, que esse tipo de fraude ganhou relevância no perfil recente da segurança pública fluminense.
Letalidade e roubos de rua recuam
Em sentido contrário, o número de vítimas de letalidade violenta no Leste Fluminense caiu de 663, em 2015, para 270, em 2025. A redução foi de aproximadamente 59%.
Os roubos de rua também diminuíram. Os registros passaram de 12.209 para 3.552 no período analisado, retração próxima de 71%.
Já as ocorrências de extorsão aumentaram de 301 para 399, crescimento aproximado de 33%. No conjunto do estado, o levantamento contabilizou 56.838 vítimas de letalidade violenta entre 2015 e 2025.
Os dados revelam que a redução de determinados crimes não significa melhora uniforme em todos os indicadores. O avanço das fraudes mostra que as políticas públicas precisam acompanhar mudanças nas formas de atuação criminosa.
Firjan defende ações regionalizadas
O presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, afirmou que análises restritas aos números consolidados do estado podem esconder as particularidades de cada região.
“Uma visão apenas dos dados consolidados do estado pode fazer com que as medidas de segurança pública não combatam os crimes que, de fato, estão penalizando a população e prejudicando o desenvolvimento de cada localidade”, declarou.
O gerente-geral de Estudos e Estratégias da Firjan, Isaque Ouverney, defendeu a criação de um fórum permanente com participação do poder público, do setor produtivo e da sociedade civil. A proposta seria planejar e acompanhar políticas de segurança com abordagem regional.
A federação também aponta como prioridades a modernização da investigação de fraudes digitais, o enfrentamento da estrutura econômica do crime organizado e a ampliação da disponibilidade de dados públicos.
Como reduzir o risco de golpes
O aumento dos registros exige atenção do cidadão, especialmente diante de mensagens que simulam comunicações de bancos, órgãos públicos, empresas e familiares.
Antes de realizar pagamento ou transferência, é recomendável conferir o nome do beneficiário, a instituição recebedora e a finalidade da cobrança. Links enviados por WhatsApp, SMS ou e-mail não devem ser usados para acessar contas bancárias ou serviços públicos.
Também é importante evitar decisões sob pressão. Pedidos urgentes de dinheiro, ameaças de bloqueio, promessas de desconto imediato e solicitações de códigos de segurança são sinais frequentes de tentativa de fraude.
Quando houver prejuízo, a vítima deve comunicar rapidamente o banco, guardar mensagens e comprovantes e registrar a ocorrência policial. Esses registros ajudam na investigação e também alimentam as estatísticas utilizadas para orientar políticas de segurança.