O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apresentou uma proposta alternativa aos projetos que visam extinguir a jornada de trabalho no modelo 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso). O parlamentar defende a flexibilização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para permitir o pagamento por hora trabalhada, cabendo ao próprio empregado definir seu período de atuação. Flávio discutiu a sugestão com integrantes do PL em Brasília.
Segundo ele, a ideia visa ajustar a legislação aos avanços tecnológicos, mantendo os direitos trabalhistas — como décimo terceiro, FGTS e férias — de forma proporcional às horas trabalhadas. A manifestação ocorre enquanto o Congresso analisa um projeto de lei do governo federal, enviado em regime de urgência, que propõe o fim da escala 6×1. O texto do Executivo sugere reduzir o limite da jornada de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso sem redução salarial. A medida tem o apoio de sindicatos, mas sofre objeção de entidades patronais e divide especialistas.
Para Flávio Bolsonaro, a proposta do governo é inoportuna e eleitoreira, argumentando que ela gerará desemprego em massa e aumento do custo de vida. Em contrapartida, ele afirma que o pagamento por hora daria flexibilidade aos trabalhadores. O senador destacou que a mudança beneficiaria principalmente as mulheres, apontando que 23% delas não conseguem trabalhar devido à jornada rígida e à falta de suporte para os filhos. Com a alteração, elas poderiam optar por jornadas reduzidas, como de quatro horas.
A posição do senador opõe-se ao entendimento do governo federal, que defende o fim da escala 6×1 justamente para promover a equidade de gênero e aliviar a sobrecarga da dupla jornada feminina. Dados da Pnad Contínua de 2022 do IBGE mostram que as mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados de pessoas, enquanto os homens dedicam 11,7 horas. Entre as mulheres pretas e pardas, o trabalho doméstico não remunerado é ainda maior, superando em 1,6 hora semanal o tempo dedicado por mulheres brancas.