Pelo terceiro ano consecutivo, o Dia de São Jorge (23 de abril) será marcado por um ato inter-religioso no bairro Partenon, em Porto Alegre. A celebração promove a integração entre fiéis católicos e praticantes de religiões de matriz africana, unindo as figuras de São Jorge e Ogum, símbolos de coragem e força guerreira.
Sincronia de Fé e Resistência
Enquanto as missas ocorrem no interior da Igreja de São Jorge, o lado externo recebe as bênçãos da Família Yecari, do Terreiro de Batuque Sociedade Beneficente Cultural Oxum e Oxalá. O evento, realizado em parceria entre o Padre Sérgio Belmonte e o Pai Ricardo de Oxum, busca resgatar a ancestralidade e o respeito mútuo. Segundo Pai Ricardo, o ato simboliza a resistência de povos que, historicamente, precisaram utilizar o sincretismo para professar sua fé. “O Rio Grande do Sul possui o maior número de praticantes de matriz africana no Brasil, mas ainda enfrenta preconceito. Este evento tenta quebrar bloqueios e mostrar que as duas tradições podem caminhar juntas”, afirma o sacerdote.
Histórias de Conexão
A celebração atrai milhares de pessoas, como a filha de santo Roseli Debem Sommer. Criada no catolicismo e convertida à matriz africana aos 19 anos, ela vê no santo guerreiro um protetor comum. Roseli destaca que manifestações semelhantes da Família Yecari também ocorrerão em Rio Pardo e Santa Maria, reforçando a importância da união espiritual.
Programação e Rituais
- As atividades começam às 8h e incluem:
- Banho de Cheiro: Ritual de abertura realizado pela Família Yecari.
- Missas e Bênçãos: Atendimento aos fiéis durante todo o dia.
- Lavagem das Escadarias: Ato simbólico de purificação e renovação de energias após a procissão, por volta das 18h30.
O Batuque, religião de matriz africana predominante no estado, foca no culto aos orixás e possui raízes em povos da Guiné, Benin e Nigéria. Atualmente, a Família Yecari reúne mais de 50 mil integrantes na América Latina, promovendo ações sociais e diálogo religioso.