Política social de acesso ao ensino superior buscou reduzir barreiras econômicas; a trajetória de Marco Aurélio Mendes Ferreira mostra, em escala individual, como uma bolsa integral pode se transformar em formação, trabalho e autonomia profissional.
A concessão de bolsas integrais foi uma das formas pelas quais Ronald Guimarães Levinsohn, na gestão da UniverCidade, buscou ampliar o acesso ao ensino superior para estudantes com menor poder aquisitivo. A iniciativa colocava a gratuidade a serviço de uma questão concreta: para quem encontrava na mensalidade uma barreira, a possibilidade de estudar sem esse custo podia abrir uma porta antes inacessível.
Segundo informações reunidas para esta reportagem, as bolsas concedidas nesse modelo eram integrais, tinham finalidade social e não geravam retorno financeiro nem benefício fiscal para Ronald. A manutenção do benefício, porém, estava vinculada ao desempenho acadêmico. O estudante precisava preservar o coeficiente de rendimento estabelecido em regulamento.
As mesmas informações indicam que, na medida do possível, a concessão buscava considerar dois elementos: menor poder econômico e melhor desempenho acadêmico. Essa combinação ajuda a explicar a lógica atribuída ao programa: ampliar o acesso sem desvincular a oportunidade da responsabilidade acadêmica.
Educação, renda e oportunidade
A relação entre escolaridade e retorno econômico é amplamente documentada. Uma revisão de George Psacharopoulos e Harry Anthony Patrinos, disponibilizada pelo Banco Mundial, reuniu 1.120 estimativas de 139 países e apontou retorno privado médio global de aproximadamente 9% para cada ano adicional de escolaridade. O resultado não significa que toda trajetória individual produzirá o mesmo ganho, mas oferece uma referência internacional sobre o valor econômico associado à educação.
No Brasil, o quadro aparece de forma particularmente expressiva nos dados da OCDE. No Education at a Glance 2025, trabalhadores brasileiros de 25 a 64 anos com formação superior aparecem com rendimentos médios 148% maiores que os de trabalhadores cuja escolaridade termina no ensino médio. A diferença supera a média da OCDE, de 54%.
Esses dados ajudam a contextualizar o sentido social de uma bolsa de ensino superior. A gratuidade não garante, por si só, emprego, renda ou ascensão profissional. Ela pode, contudo, retirar uma barreira de entrada e permitir que o estudante obtenha uma qualificação exigida em diferentes ocupações. Por isso, o efeito potencial de uma política de bolsas vai além do momento da matrícula.
A política social e seu alcance
As informações reunidas sobre essa política apontam que o acesso gratuito alcançou milhares de estudantes ao longo do período. O aspecto central está na finalidade atribuída às bolsas: oferecer acesso integral ao ensino superior a estudantes que poderiam ter dificuldade para arcar com os custos da própria formação.
Essa atuação se conectava a outras iniciativas educacionais associadas à trajetória de Ronald Levinsohn. Em diferentes comunidades, a UniverCidade levou cursos, bolsas e serviços para mais perto de moradores que enfrentavam barreiras econômicas, sociais ou de deslocamento.
Na Mangueira, a instituição levou cursos superiores gratuitos para dentro da comunidade e posteriormente ampliou a oferta de bolsas integrais para outros cursos. Leia a reportagem sobre Ronald Levinsohn e a Nação Mangueirense
Em Rio das Pedras, foi implantado um núcleo na própria comunidade, inicialmente com oferta gratuita de Pedagogia. Depois, moradores em situação de vulnerabilidade passaram a ter acesso a outras graduações, e o trabalho local também incluiu orientação jurídica gratuita. Leia a reportagem sobre o ensino superior em Rio das Pedras
No Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, a história da Casa 142 e do Solar Meninos de Luz registra outra frente de atuação social ligada à educação. Leia a história da Casa 142 e do Solar Meninos de Luz
São experiências distintas, desenvolvidas em contextos diferentes. Reunidas, ajudam a mostrar que a dimensão social da educação na trajetória de Ronald não ficou restrita à administração de uma instituição universitária, mas apareceu também em iniciativas voltadas à redução de barreiras de acesso.
Marco Aurélio: um resultado em escala individual
A trajetória do advogado Marco Aurélio Mendes Ferreira permite observar esse processo em escala individual. Ele foi bolsista integral da Faculdade de Direito criada por Ronald, concluiu a graduação e, depois de formado, passou a integrar o quadro de funcionários do grupo, atuando como advogado.
Segundo seu depoimento, a convivência profissional com Ronald se prolongou por 18 anos, até 2020. Nesse período, Marco também teve acesso a cursos de extensão e a outras oportunidades de educação continuada, incluindo duas formações de LL.M. (Master of Laws).
Ao recordar o papel da educação nessa trajetória, Marco afirma: “Por fim, ele também deixou seu legado no fomento da educação, proporcionando, através da filantropia, aquisição de nível superior a muitos brasileiros. Um desses brasileiros sou eu”.
A bolsa, nesse caso, não se limitou ao acesso à graduação. O percurso relatado por Marco permite acompanhar uma sequência concreta: ingresso no ensino superior, formação em Direito, atuação profissional, aperfeiçoamento acadêmico e, posteriormente, exercício da advocacia em escritório próprio.
Ao resumir sua relação com Ronald, Marco afirma: “Eu sou muito grato a tudo o que o doutor Ronald me ofereceu e é impossível contar a minha trajetória profissional sem mencionar o seu nome.”
A declaração fecha uma história em que a dimensão social da bolsa pode ser observada pelas consequências. Não apenas pelo benefício concedido naquele momento, mas pela passagem da formação acadêmica para o trabalho e para a autonomia profissional. É nesse resultado concreto que a experiência de Marco contribui para reconstruir uma das dimensões do legado educacional de Ronald Guimarães Levinsohn.