No 91º aniversário de seu nascimento, marcos empresariais, educacionais, sociais e ambientais ajudam a reconstruir diferentes fases da trajetória de Ronald Guimarães Levinsohn.
Em 9 de outubro de 1935, nascia em Rio Grande, no Rio Grande do Sul, Ronald Guimarães Levinsohn. Sua história começou antes da projeção empresarial: passou pela formação em Direito e pelos primeiros referenciais de sua trajetória e avançou, nas décadas seguintes, por setores tão diferentes quanto desenvolvimento urbano, educação e agronegócio.
1935 a década de 1970 / Formação e expansão empresarial
Filho de David Isidore Levinsohn e Maria Nilza Guimarães Levinsohn, Ronald formou-se em Direito. A formação jurídica, porém, não delimitou sua atividade profissional. Ao longo dos anos, ele passou a atuar em projetos de grande escala e em estruturas com forte presença territorial.
Na década de 1970, ganhou projeção em São José dos Campos com empreendimentos como Cidade Vista Verde e, posteriormente, projetos ligados à região do Colinas. A expansão urbana ajudou a associar seu nome à criação de novas centralidades e a uma visão empresarial também relacionada a compromissos sociais.
A partir de 1982 / Educação, qualidade e acesso
A Faculdade da Cidade começou em 1982 e evoluiu até se transformar no Centro Universitário da Cidade, a UniverCidade. Nos registros institucionais daquele período, a missão sob a gestão de Ronald vinculava a formação profissional à oferta de ensino de excelência e à intenção de ampliar o acesso para estudantes de diferentes camadas sociais.
A formulação da época ia além da preparação para o mercado de trabalho. A instituição declarava querer formar profissionais capazes de contribuir para um Brasil mais rico e democrático, aproximado das nações livres então identificadas pela expressão “Primeiro Mundo”. Para isso, defendia presença em diferentes pontos da cidade e preços compatíveis com as possibilidades de seus alunos.
Esse propósito era acompanhado por compromissos institucionais com qualidade acadêmica, inovação constante, agilidade e inclusão educacional. A UniverCidade também afirmava buscar respostas para as necessidades das comunidades em que estava inserida, combinando crescimento da estrutura universitária com iniciativas fora dos campi tradicionais.
1994 / Casa 142 e uma relação que atravessou décadas
Em junho de 1994, Ronald cedeu formalmente em comodato a Casa 142, no Pavão-Pavãozinho, ao trabalho que se tornaria o Solar Meninos de Luz. A iniciativa social já existia antes de sua participação, mas a cessão do imóvel e a relação posterior com instituições ligadas à UniverCidade passaram a integrar uma trajetória educacional que avançou da infância ao ensino médio e, para alguns jovens, ao ensino superior.
Guilherme Maltarolli, diretor do Solar, relaciona a participação de Ronald à continuidade da formação oferecida às crianças e jovens. Ao recordar o apoio recebido, resumiu sua percepção em uma frase: “por tanta generosidade, sem nunca ter pedido nada, nada em troca”.
Em 2025, Priscilla Levinsohn formalizou a doação definitiva da Casa 142 ao Solar Meninos de Luz, mantendo o imóvel ligado ao mesmo trabalho social décadas depois.
2001 / A universidade chega à Mangueira
Em 2001, o CIEP da Nação Mangueirense passou a receber cursos superiores gratuitos de Pedagogia e Tecnologia em Informática. A universidade entrou no território da comunidade com professores, estrutura acadêmica e laboratórios, reduzindo obstáculos de deslocamento e aproximando a graduação da vida cotidiana dos moradores.
Em 2008, a iniciativa ganhou novo alcance com a oferta de bolsas integrais para outros cursos e unidades da UniverCidade. A experiência deixou de representar apenas dois cursos instalados no CIEP e passou a abrir caminhos para outras formações.
2008 / Rio das Pedras e a ampliação do acesso
Também em 2008, Rio das Pedras recebeu uma nova frente de atuação educacional. Um núcleo universitário ofereceu gratuitamente o curso de Pedagogia e, posteriormente, abriu oportunidades para outras graduações.
O trabalho não ficou restrito às aulas. A comunidade também recebeu orientação jurídica gratuita, aproximando formação acadêmica e atendimento a necessidades concretas dos moradores.
Meio ambiente / A formação também saiu da sala de aula
Durante a expansão da UniverCidade, o meio ambiente se tornou outro campo de atuação acadêmica. Entre os projetos esteve o Manguezário, na Lagoa Rodrigo de Freitas, coordenado pelo biólogo Mário Moscatelli e voltado à recuperação e ao acompanhamento de áreas de manguezal.
Outras iniciativas, como EcoCidadão, ReciclaCidade, Rio dos Macacos, Borboletário e Trilha da Catacumba, levaram estudantes para fora da sala de aula e colocaram saneamento, reciclagem, biodiversidade e preservação entre os temas de pesquisa e intervenção.
A importância histórica desse conjunto não está em atribuir aos antigos projetos resultados ambientais observados hoje. Entre um período e outro houve diferentes políticas públicas, investimentos e intervenções. O que permanece documentado é a presença dessa agenda na formação acadêmica daquele período.
Apoio institucional / FADA e Nossa Senhora da Paz
Em Cotia, na Grande São Paulo, a Fundação de Apoio e Desenvolvimento do Autista, a FADA, recebeu em etapa posterior de sua história uma contribuição atribuída a Ronald. Segundo a presidente Beatriz Miranda de Carvalho, a doação de uma área ajudou a ampliar as condições de atuação da entidade.
A FADA já existia e possuía sua própria trajetória. A participação de Ronald não foi a origem da instituição, mas um apoio a um trabalho especializado que já atendia pessoas com autismo e suas famílias.
No Rio de Janeiro, outro registro amplia essa dimensão social. Materiais históricos reunidos para a coluna apontam apoio a ações comunitárias e doações destinadas à restauração e a reformas da Paróquia Nossa Senhora da Paz, em Ipanema. A relação aparece também no depoimento de Padre Jorge Luiz Neves Pereira da Silva, o Padre Jorjão, vigário paroquial conhecido por sua atuação de acolhimento, evangelização e trabalho junto a jovens e pessoas carentes.
Agronegócio / Uma frente no oeste da Bahia
O agronegócio acrescentou outra escala à trajetória. No oeste da Bahia, Ronald esteve ligado ao Agronegócio Estrondo, ampliando para o campo uma atuação que já havia passado pelo desenvolvimento urbano e pela educação.
A presença em setores tão distintos mostra uma característica recorrente de sua trajetória: a construção de projetos de grande porte e de estruturas capazes de permanecer ligadas a diferentes territórios.
2020 em diante / O que permaneceu
Ronald Guimarães Levinsohn faleceu em 27 de janeiro de 2020, aos 84 anos. Ao longo de décadas, seu nome esteve associado a empreendimentos urbanos, educação, agronegócio e iniciativas sociais e ambientais.
Depois de sua morte, permaneceram obras, instituições, projetos, documentos e histórias pessoais ligadas a diferentes momentos desse percurso. Da Mangueira à Casa 142, de Rio das Pedras à Lagoa Rodrigo de Freitas, esses registros mostram uma atuação que alcançou cidades, comunidades, estudantes, organizações e territórios.
É nesse conjunto de realizações, vínculos e consequências concretas que se encontra a dimensão mais ampla da trajetória de Ronald Levinsohn.