Levantamento do Serasa aponta que Niterói concentra mais de 236 mil inadimplentes e
cerca de R$ 1,94 bilhão em dívidas, superando a média observada no estado do Rio de
Janeiro e no país. Apenas em fevereiro, o número de devedores cresceu em torno de 13
mil pessoas na comparação anual, indicando pressão contínua sobre o orçamento das
famílias.
Especialistas ouvidos em estudos acadêmicos relacionam o avanço da inadimplência a
juros elevados, custo de vida crescente e renda insuficiente. A ampliação do trabalho
por conta própria, sem proteção típica de vínculos formais, também é apontada como
fator relevante para a instabilidade financeira.
Dados de pesquisas nacionais indicam que despesas essenciais consomem parcela
significativa da renda, sobretudo com moradia e alimentação, reduzindo a capacidade de
poupança. Sem reserva financeira, imprevistos tendem a resultar em atraso de contas.
O cenário ainda inclui restrição de crédito e maior seletividade bancária. Enquanto não
houver melhora consistente de renda e redução do custo do crédito, a tendência é de
manutenção da pressão sobre os indicadores de inadimplência no município.