A coluna dessa semana faz uma análise da economia fluminense de janeiro para cá e projeta o que pode acontecer até dezembro. O primeiro semestre não permite euforia: o começo foi marcado por emprego frágil, crédito caro e orçamento municipal pressionado; março e abril trouxeram reação do trabalho formal e da indústria; junho recolocou a inflação no centro da mesa. O IPCA em 12 meses chegou a 4,72% em maio, segundo dados do IBGE divulgados pela Reuters, e isso muda o tom da reta final do ano.
No Rio de Janeiro, há sinais reais de fôlego. O estado abriu 11.741 vagas formais em abril, dado acompanhado pelo Novo Caged, e a produção industrial cresceu 10,1% em abril na comparação anual, movimento puxado principalmente por petróleo, gás e derivados. Esses números ajudam a explicar por que o estado ainda tem base econômica forte. Mas força produtiva não resolve, sozinha, o custo de vida em Niterói, São Gonçalo e Região Metropolitana.
O ponto decisivo da projeção até dezembro será o crédito. A Selic está em 14,50% ao ano e, mesmo que recue no segundo semestre, a expectativa de mercado ainda aponta juros perto de 13,50% no fim de 2026. Na prática, financiamento, capital de giro, cartão e parcelamento devem continuar seletivos. Para famílias, a orientação é reduzir dívida cara antes de assumir compromisso longo. Para pequenos negócios, é hora de proteger caixa, margem e estoque.
O segundo semestre tende a ser de crescimento possível, mas desigual. A Copa movimenta bares, comércio, transporte e serviços. O petróleo pode sustentar royalties e investimentos. Obras e eventos ajudam a girar renda. O risco é confundir movimento com ganho permanente. Se inflação, juros e crédito continuarem apertados, parte do consumo vira apenas antecipação de despesa. A melhora precisa aparecer em contrato, salário, prazo e atendimento.
A leitura para dezembro é simples: o Rio pode chegar ao fim do ano melhor do que começou, mas só se transformar indicadores em renda estável, serviço público eficiente, obra executada e consumo responsável. Para o cidadão fluminense, 2026 ainda pede uma régua prática: emprego é bom, mas poder de compra, transporte, preço e dívida é que mostram se a economia melhorou de verdade.
Por: Wellyngton Inácio