A semana econômica trouxe indicadores que chegam ao cidadão fluminense pelo emprego, pelo supermercado, pela conta de casa e pelo crédito. São números técnicos, mas com efeito direto sobre renda, consumo e planejamento familiar.
No mercado de trabalho, o Estado do Rio abriu 23.914 vagas formais em março, segundo o Novo Caged, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Para dar escala ao dado, o saldo representa cerca de 0,60% do estoque estimado de empregos formais no estado. A capital respondeu por 7.422 vagas, seguida por Niterói, com 1.202, Itaboraí, com 965, Macaé, com 790, e Nova Iguaçu, com 641.
Na indústria, a Firjan apontou avanço de apenas 0,4% na produção industrial em 12 meses, enquanto a indústria de transformação recuou 0,8%. A entidade também citou o 16º mês consecutivo de pessimismo no Índice de Confiança do Empresário Industrial. O dado importa porque confiança baixa tende a segurar investimento, expansão e novas contratações.
Na inflação, o IPCA de abril ficou em 0,67%, segundo o IBGE. O índice veio abaixo dos 0,88% de março, mas o acumulado em 12 meses subiu para 4,39%. A pressão apareceu em grupos sensíveis: alimentação e bebidas avançaram 1,34%, enquanto saúde e cuidados pessoais subiram 1,16%.
Outro ponto de impacto foi habitação. O grupo subiu 0,63% em abril, com influência do gás de botijão e da energia elétrica residencial. O IBGE citou reajustes aplicados a concessionárias no Rio de Janeiro, o que aproxima o indicador nacional da rotina local.
No crédito, a Selic está em 14,50% ao ano, o equivalente a cerca de 1,13% ao mês em taxa composta. Essa não é a taxa cobrada diretamente no cartão ou no empréstimo, mas serve de referência para o custo do dinheiro na economia.
A leitura da semana está na combinação desses dados. O Rio gerou vagas formais, mas alimentos, saúde, habitação e crédito continuaram pesando no orçamento. Para o cidadão fluminense, o desafio é transformar renda em poder de compra real, sem perder de vista que emprego, preços e juros caminham juntos na rotina de famílias, trabalhadores, pequenos negócios e comércio de bairro.