A cerimônia do Grammy, realizada na noite de domingo (1º), em Los Angeles, foi marcada por manifestações políticas de artistas contra a política migratória dos Estados Unidos. Durante discursos de agradecimento e aparições no tapete vermelho, músicos e convidados criticaram a atuação do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), transformando a premiação em um espaço de protesto.
Ao receber o prêmio de Canção do Ano, Billie Eilish afirmou que “ninguém é ilegal em terra roubada”, frase que ecoou entre outros participantes do evento. Já Bad Bunny, vencedor do Álbum do Ano, declarou “fora ICE” antes de agradecer pelo prêmio, reforçando o tom crítico adotado ao longo da noite.
No tapete vermelho, além dos tradicionais figurinos de grifes internacionais, diversos artistas exibiram broches com mensagens contrárias à política migratória. Entre os que aderiram ao gesto estavam Justin e Hailey Bieber, Joni Mitchell, Jordan Tyson e Helen J. Shen.
A cantora Gloria Estefan também se posicionou ao receber o prêmio de Melhor Álbum Latino Tropical. Segundo ela, as ações do governo não se limitam à prisão de criminosos, mas atingem famílias inteiras, incluindo crianças. “Há pessoas que vivem aqui há décadas, contribuíram para o país e agora enfrentam uma situação desumana”, afirmou. Nascida em Cuba, Estefan lembrou sua própria trajetória de imigração e disse não reconhecer o país no momento atual.
Outros discursos seguiram a mesma linha. Uma das premiadas da noite destacou suas origens familiares ligadas à imigração e defendeu o reconhecimento da contribuição dos imigrantes para a sociedade norte-americana. Já a cantora de R&B SZA criticou o contraste entre a celebração da indústria musical e a realidade vivida por pessoas afetadas pelas ações migratórias, classificando o cenário como “distópico”. O pianista cubano Gonzalo Rubalcaba, vencedor na categoria de Jazz Latino, pediu respeito e apoio aos estrangeiros que trabalham no país.
As manifestações provocaram reação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que criticou duramente a cerimônia em uma publicação na rede Truth Social, classificando o Grammy como “virtualmente impossível de assistir”. Trump também respondeu a comentários feitos pelo apresentador do evento, Trevor Noah, que o associaram ao caso do financista Jeffrey Epstein, morto em 2019.
O presidente negou qualquer envolvimento com Epstein e afirmou que as declarações foram falsas e difamatórias. Em tom agressivo, Trump ainda ameaçou processar Noah, dizendo que acionaria seus advogados contra o apresentador.








