A trajetória do empresário Ronald Guimarães Levinsohn (1935–2020) no cenário educacional brasileiro é frequentemente lembrada pela sua habilidade em gerir grandes ativos, mas seu impacto mais profundo e duradouro reside na fundação do Centro Universitário da Cidade (UniverCidade) que ficou sob sua gestão até 2011. Em pouco mais de duas décadas, a instituição não apenas se consolidou como uma das maiores universidades privadas do Rio de Janeiro, como também se tornou um espaço democrático ao acesso ensino superior, unindo rigor acadêmico a uma visão social sem precedentes.
Ronald Guimarães Levinsohn a frente do Centro Universitário da Cidade (UniverCidade)
Levinsohn concebeu a UniverCidade sob a premissa de que a educação não deveria ser um enclave de privilégios, mas um direito acessível àqueles que o mercado tradicional costumava ignorar. Com uma estratégia que mesclava eficiência administrativa e responsabilidade cívica, o projeto nasceu com a missão clara de abrir as portas da academia para a juventude das periferias. Sob sua liderança, a universidade estabeleceu um sistema robusto de bolsas de estudo e selou parcerias estratégicas com comunidades que, historicamente, estavam à margem do desenvolvimento educacional.
Ronald Guimarães Levinsohn e a democratização da Educação Fluminense
O impacto dessa iniciativa foi sentido de forma imediata em locais emblemáticos como o Morro da Mangueira, Rio das Pedras e Pavão-Pavãozinho. Nesses territórios, Levinsohn instalou não apenas postos de atendimento, mas uma nova perspectiva de futuro. Jovens que enfrentavam a escassez de oportunidades viram na UniverCidade a chance real de obter um diploma universitário. A política de inclusão promovida pelo empresário permitiu que milhares de estudantes concluíssem seus cursos, transformando-se em advogados, gestores, profissionais de saúde e educadores que, hoje, atuam como multiplicadores do conhecimento em suas próprias comunidades.
Para além da democratização do acesso, Levinsohn imprimiu na UniverCidade um modelo de gestão que valorizava a extensão universitária e o diálogo com o tecido social da cidade. Ele acreditava que o sucesso de uma instituição de ensino era medido pela capacidade de seus alunos em transformar a realidade ao seu redor. Ao integrar jovens de baixa renda ao ambiente universitário, Levinsohn não apenas formou profissionais, mas promoveu uma ruptura nos ciclos de desigualdade.
Dessa forma, o legado de Ronald Levinsohn na educação fluminense transcende os números de matrículas ou a expansão de campus. Sua atuação é lembrada pelo compromisso com a mobilidade social e pela coragem de investir no potencial humano de áreas vulneráveis, provando que a excelência educacional e a justiça social podem — e devem — caminhar lado a lado na construção de uma metrópole mais justa.