Selic menor ainda não libera o bolso do fluminense

Wellyngton Inácio colunista

Juro caiu para 14,25%, mas inflação, crédito caro e renda apertada ainda pedem cautela de famílias e pequenos negócios no RJ

A economia fluminense chega ao fim de semana com um recado direto para famílias, comércio e pequenos negócios: o juro caiu, mas o bolso ainda não foi liberado. A decisão mais recente do Copom reduziu a Selic para 14,25% ao ano, mas a própria comunicação do Banco Central indica cautela para os próximos passos da política monetária.

Em linguagem simples, isso significa que o crédito pode ficar um pouco menos pesado no horizonte, mas ainda não virou barato no balcão. Para o consumidor do Rio, de Niterói, de São Gonçalo e da Região Metropolitana, a queda da Selic não autoriza trocar dívida sem fazer conta.

Antes de contratar empréstimo, refinanciar cartão ou aceitar financiamento, a comparação precisa ser feita pelo Custo Efetivo Total, o CET. A parcela que cabe no mês pode esconder seguro, tarifa, juros maiores no prazo longo e outras cobranças. Banco, financeira e loja ainda avaliam renda, risco, histórico de pagamento e garantias antes de reduzir taxa para o cliente final.

O segundo dado da semana também pede cuidado. O IPCA-15 de junho subiu 0,41%, abaixo do esperado por parte do mercado, mas acumulou 4,80% em 12 meses. O alívio pontual não elimina a pressão no orçamento. Alimentação e habitação continuam entre os grupos que pesam na rotina de quem compra no mercado, paga aluguel, condomínio, luz, gás, transporte e serviços básicos.

Para o comércio fluminense, a leitura é objetiva: vender pode ficar um pouco mais fácil se os juros continuarem cedendo, mas o consumidor ainda está seletivo. Em rua comercial, shopping, serviço de bairro e venda por aplicativo, o cliente olha preço, frete, prazo e necessidade antes de fechar comercial, shopping, serviço de bairro e venda por aplicativo, o cliente olha preço, frete, prazo e necessidade antes de fechar compra.

O pequeno empresário também precisa resistir à tentação de ampliar estoque como se a renda tivesse disparado. A queda do juro ajuda, mas não muda tudo de uma vez. Giro de mercadoria, margem, inadimplência e prazo de recebimento continuam sendo indicadores essenciais para decidir compra, promoção e parcelamento.

O mercado de trabalho segue como ponto de sustentação, mas também exige filtro. A página oficial do Novo Caged continua sendo referência para medir vagas formais, e os dados recentes vinham mostrando recuperação no Rio. O desafio é transformar vaga em renda estável, transporte eficiente e consumo previsível.

A semana, portanto, não autoriza euforia. Autoriza planejamento. Juro menor ajuda. Inflação menor no mês ajuda. Emprego formal ajuda. Mas o cidadão fluminense só sentirá melhora real quando crédito, salário, preço e serviço público começarem a andar na mesma direção.

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Chefe de redação do Jornal O Fluminense, atuando na coordenação editorial e contribuindo para a continuidade de uma história de tradição e seriedade no jornalismo brasileiro.

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